'Inscrições fenícias' na Pedra da Gávea, um dos mistérios mais persistentes do Rio

Um dos mistérios mais persistentes do Rio de Janeiro envolve a Pedra da Gávea e as supostas “inscrições fenícias” que, segundo a lenda, estariam gravadas na rocha. A hipótese atravessa décadas dividindo opiniões: seriam apenas marcas produzidas pela erosão, ou sinais deixados por navegadores fenícios séculos anos antes de Cristo? Neste começo de 2026, viva sua vida e vá ser feliz: nada de esperar o amanhã Petrópolis: a sensação é de assistir ao mesmo filme a cada nova chuva A discussão ganhou corpo ainda no começo do século XX. Já na década de 1920, especialistas chegavam ao Rio para pesquisar se os detalhes “talhados” na Pedra da Gávea eram resultados de processos naturais ou se poderiam ser interpretados como escritos antigos. Evidente que os grupos de opiniões se dividem. Por um lado, céticos apontam para a ação do tempo sobre a rocha. A erosão, nesse contexto, não é um único fenômeno, mas um conjunto de desgastes e transformações que podem criar sulcos, cortes, linhas e “reentrâncias” que, vistos de longe, lembram símbolos ou letras. Por outro, os adeptos da hipótese fenícia defendem que os traços não seriam aleatórios. Eles seriam mensagens, sinais de presença e prova de uma passagem antiga pelo litoral brasileiro. Vassouras: Nas histórias do novo museu, um passado que não cabe na vitrine Ainda na Pedra... Com mais de 800 metros de altura, a Pedra da Gávea está entre os maiores blocos de pedra à beira-mar do mundo. Em janeiro de 1502, o navegador Gaspar de Lemos teria observado o formato da montanha e feito a ligação com a “gávea”, a plataforma de vigia no alto das caravelas, onde ficava o chamado cesto da gávea. Era dali que os marinheiros enxergavam a longas distâncias e soltavam o grito clássico: “Terra à vista!”. Até hoje, esse gigante de pedra continua servindo como referência para quem navega pelo litoral do Rio. Mistura do balé europeu tradicional e repertórios das ruas cariocas: um passeio pela história dos teatros no Rio Mistério subterrâneo Um grito de socorro era escutado por todos na Rua professor Manoel Ferreira, também na Gávea. O que será que era? “Socorro, me tirem daqui”, pedia. O ano: 1993. A voz masculina parecia desesperada. Um policial chegou a pensar que vinha do porta-malas de um carro, mas não. O som vinha de um lugar muito pior: do bueiro. Será que alguém caiu? A tampa estava fechada. Quando abriram, a cena era surreal: lá estava Luis Carlos dos Santos Silva, preso ali embaixo, e contando uma história pra lá de inusitada. Segundo ele, para fugir de bandidos em Copacabana, entrou num bueiro, caminhou quilômetros por baixo do chão e foi parar justamente aqui. O problema? As pernas ficaram presas. Para resgatá-lo, foi uma missão que demorou horas. Curiosos faziam rodinha, tentando entender como alguém foi parar naquela situação. E, quando finalmente o rapaz foi levado para a delegacia, acabou solto. Não tinha antecedentes. Praça Onze: local que o Rio destruiu foi de Tia Ciata, do samba e da religiosidade Já que estou falando da Gávea... “Me ajudem: qual é o Braseiro de São Paulo?”, perguntou uma amiga nas redes sociais. Braseiro é um restaurante muito conhecido do Baixo Gávea e sinônimo de linguicinha na brasa, molho à campanha ( jamais vinagrete!), farofa de ovos, carne e chope — tudo isso rodeado de gente interessante, informalidade e tradição. A dúvida de Raphaela ficou ressoando em minha mente por um bom tempo. Não por ter imensa vontade de saber o que a moçada indicaria e mais por, instantaneamente, entendermos o que ela desejava. Há restaurantes, bares e lanchonetes que ultrapassaram os limites do cardápio e se tornaram referências, em especial afetivas. Por falar nisso, os garçons contribuem e muito para essa aura. Do Hipódromo, que ficava em frente ao Braseiro, lembro carinhosamente de dois craques: Lacerda e o “Boi”. Muitos dos que conheço frequentavam unicamente por causa do atendimento. Por fim: quem foi o Marquês de São Vicente? José Antônio Pimenta Bueno nasceu em Santos, em 1803, e virou um dos grandes nomes do Brasil Império. Formado em Direito em São Paulo, construiu carreira no Judiciário, na política e na diplomacia. Foi juiz da alfândega, desembargador da Corte, deputado e senador por São Paulo por mais de duas décadas. Também presidiu províncias como Mato Grosso e Rio Grande do Sul. No exterior, representou o Brasil no Paraguai e foi duas vezes ministro dos Negócios Estrangeiros. Em 1870, chefiou o governo como presidente do Conselho de Ministros, equivalente a primeiro-ministro. O reconhecimento veio em forma de títulos: recebeu o de visconde em 1867 e, em 1873, foi elevado a marquês. “Tá bom, e a Gávea nessa história?”, pode estar pensando o mais apressado leitor. A partir de 1858, passou a viver na... Gávea, em uma chácara que ficava onde hoje está o Parque da Cidade. Pimenta Bueno morreu ali em 1878. E o nome permaneceu na paisagem carioca: a antiga Rua Boa Vista da Lagoa foi rebatizada e passou a se chamar Rua Marquês de São Vicente. Mistério resolvido. As histórias escondidas do Catumbi: bairro era sinônimo de elegância e prestígio no século XIX