De congressos a megashow, Rio vai receber 70 eventos por mês ao longo deste ano

No longínquo 1º de julho de 2012, o Rio de Janeiro tornou-se a primeira cidade do planeta a receber da Unesco o título de Patrimônio Mundial na categoria paisagem cultural urbana. Não é pouca coisa, mas, convenhamos, a gente já sabia: com essa honraria, o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) chamou a atenção do mundo para a forma como, por aqui, as coisas dão muito certo quando a obra da natureza e a mão do homem caminham juntas. Essa “parceria histórica” se reflete em marcos como o recorde de visitação de turistas estrangeiros — 2,2 milhões em 2025, na capital e no resto do estado — e promete render mais frutos: o combo de paisagem exuberante com vocação para a festa vai atingir outro patamar com o que vem por aí. Pelos cálculos do Visit Rio, instituição privada dedicada a impulsionar o turismo na cidade, o calendário de eventos de 2026 terá pelo menos 855 atividades, o que dá em média mais de 70 acontecimentos por mês. A conta representa um crescimento de 15% em relação ao ano passado. Show na praia Em resumo, vai ter borogodó carioca o ano inteiro. No pacote cabem shows, congressos, feiras e eventos esportivos, entre outras atividades. No campo da música, as expectativas estão nas alturas. Em maio, vem aí mais uma edição do Todo Mundo no Rio: o nome da atração do megashow gratuito na Praia de Copacabana segue guardado a sete chaves, mas as especulações são proporcionais ao que é possível esperar depois das apresentações de Madonna (2024) e Lady Gaga (2025) na Praia de Copacabana. As apostas no momento vão de Taylor Swift a Adele, passando por Beyoncé, Bruno Mars e Coldplay. No segundo semestre ainda tem Rock in Rio, com Sir Elton John garantido no line-up do Palco Mundo. Isso para não falar nos shows “avulsos” confirmados: Bryan Adams (março), Guns N’ Roses e The Weeknd (abril), além da já “quase local” Rosalía (agosto). Rio Gastronomia Alex Ferro/Agência O Globo Janeiro já começa em ritmo de festa. Além do carnaval antecipado que começa a ganhar as ruas, o festival Universo Spanta ganha fôlego para arrastar milhares à Marina da Glória de hoje ao dia 26. A edição deste ano, a sexta, trará de Ana Castela a Ivete Sangalo, passando por Baiana System, Sidney Magal e apresentações de bambas das escolas Portela, Imperatriz, Mangueira, Salgueiro e Vila Isabel. — Fechamos o ano passado com mais eventos do que havíamos projetado. E hoje o cenário é ainda mais positivo. A perspectiva de incremento de 15% leva em consideração o que já está negociado — diz Luiz Strauss, presidente executivo do Visit Rio. Um dos eventos que promete ser marcante pelo ineditismo e potencial de visibilidade é a primeira partida oficial da liga de futebol americano no Maracanã, que acontecerá em setembro. O calendário esportivo traz ainda o Rio Open 2026, reunião de tenistas de primeira linha na Zona Sul, daqui a um mês (a primeira rodada acontece dia 14 de fevereiro), e a Maratona do Rio, que levará milhares de corredores às ruas da cidade em junho. — O interesse pelo futebol americano vem crescendo no Brasil e no Rio. Esse tipo de evento atrai um público qualificado, inclusive de outros países. Além disso, a exposição midiática é enorme. As imagens da cidade, as tomadas aéreas, tudo isso ajuda a vender o Rio para o mundo — analisa Alfredo Lopes, presidente do Sindicato de Hotéis e Meio de Hospedagem do Rio (HotéisRio). Rock in Rio 2024 Alexandre Cassiano 15/09/2024 De acordo com o HotéisRio, a média de ocupação da rede hoteleira na cidade ficou em 77,73% no ano passado, com 90,58% no período do réveillon. Para 2026, a projeção do setor é de que haja um incremento entre 5% e 8% na média anual. — A gente enxerga um impacto este ano a partir de duas vertentes principais. Primeiro, os feriados prolongados, que puxam o turismo de lazer e são muito positivos para a cidade. Segundo, os eventos propriamente ditos. Não apenas grandes shows, mas também eventos técnicos nas áreas de comunicação, inteligência, tecnologia e outros segmentos estratégicos — diz Alfredo Lopes. Turismo internacional O calendário aquecido de eventos da cidade ajuda a inserir o Rio ainda mais no contexto de incremento do setor turístico nacional. De acordo com a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), o país bateu a marca de 9,2 milhões de visitantes em 2025. Desses, 24% estiveram no Rio. — Nossa previsão anteriormente era de chegar a 8 milhões de turistas internacionais apenas em 2027. Ter uma agenda, um calendário de eventos, é vital para o setor porque combate o processo da sazonalidade no turismo, que é sempre delicado. A gente sabe que no verão vai ter muita gente, mas são os eventos que fazem com que seja possível manter uma regularidade. Isso é muito decisivo para que você mantenha o turismo aquecido, gerando emprego e renda durante o ano todo — avalia Marcelo Freixo, presidente da Embratur. Na Rodoviária do Rio, a estimativa é de que 11,8 milhões de passageiros circulem pelo terminal em 2026, sendo 3,076 milhões de usuários só no primeiro trimestre. No ano passado, foram pouco mais de 11 milhões. — Observamos um crescimento do turismo estrangeiro utilizando o terminal, com um aumento de cerca de 12%, principalmente de passageiros vindos da América do Sul, além de Estados Unidos e Europa, sem deixar de destacar o mercado nacional, que segue liderado por São Paulo e Minas Gerais, especialmente em direção ao Rio, em função dos grandes eventos, como o show em maio em Copacabana e o Rock in Rio — afirma Roberta Faria, diretora-geral da concessionária que administra a Rodoviária do Rio. Já no Píer Mauá, 60 mil turistas devem desembarcar só este mês. A projeção é que durante a temporada toda — que começou em outubro do ano passado e vai até abril deste ano — o movimento chegue à casa dos 240 mil visitantes, o que projeta uma injeção de R$ 193,3 milhões na economia local. — O ano já começou bastante agitado. Normalmente a gente não recebe muitos navios no dia 1º de janeiro, às vezes até nenhum, porque depois de assistirem aos fogos de Copacabana normalmente eles vão para outros portos, mas dessa vez a gente teve três navios — observa Marcello Chagas, gerente de operações do Píer Mauá. Pavilhão do Riocentro Márcia Foletto / Agência O Globo Feiras e congressos No calendário de eventos do Rio em 2026, o número de feiras e congressos é outro ponto a ser destacado. Em agosto, o Rio Gastronomia ganha nova edição no Jockey com o melhor da culinária, shows e atividades para todas as idades. No mesmo mês, acontece a Rio Innovation Week. Em junho, a cidade recebe a Energy Summit e em abril, o Rio Fashion Week. Maior centro de convenções da cidade, o Riocentro tem anotados compromissos como a Expo Cristã (novembro), o Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (abril) e o Web Summit Rio (junho). — Em 2025, o crescimento da agenda de feiras, congressos e grandes encontros já teve impacto direto na taxa de ocupação. Para 2026, a expectativa é de um cenário ainda mais aquecido, com um volume maior de eventos confirmados e de maior porte, como o Rock in Rio na região da Barra Olímpica e o retorno da Rio Oil & Gas ao Riocentro, o que deve se refletir em um crescimento projetado de 10% na ocupação — afirma Alexandre Rodrigues, coordenador de vendas do Lagune Barra Hotel, que fica dentro do complexo do Riocentro.