Baterista do Interior de SP constrói carreira nacional e integra banda de Ana Castela Aos 24 anos, o baterista Leonardo Luís de Arruda Camargo transformou o sonho de infância em realidade. Nascido em Ibaté, no interior de São Paulo, ele saiu das bandas locais e dos barzinhos da região para acompanhar artistas renomados do sertanejo e hoje faz parte da banda da cantora Ana Castela, um dos principais nomes da música sertaneja atual. (veja vídeo acima). Siga o g1 São Carlos e Araraquara no Instagram Em entrevista ao g1, Leonardo relembrou a conversa decisiva com o pai aos 15 anos, quando escolheu assumir a música como carreira, e contou a emoção de voltar ao rodeio de Ibaté já como profissional, no mesmo palco que assistia na infância. (veja abaixo). Música na infância O contato com a música surgiu muito cedo, dentro da igreja. Ainda pequeno, ele se encantava ao observar os músicos durante os cultos. “Eu pedia uma bateria para o meu pai antes mesmo de saber falar direito”, lembrou. Leonardo Camargo Baterista Redes sociais Aos cinco anos, começaram as primeiras aulas formais de bateria. Como não havia musicalização infantil em Ibaté na época, a família precisava se deslocar até São Carlos. O apoio dos pais foi decisivo ao longo de toda a formação. “Eles me levaram para aulas, ensaios, freelas e me buscavam de madrugada quando eu ainda não podia dirigir. Sustentaram meu sonho desde o começo", relembrou Leonardo. Das bandas locais aos primeiros palcos Ainda criança, o baterista começou a tocar em bandas da própria cidade. Uma das primeiras experiências foi com a banda ‘’Os Diferentes do Rock’’, quando tinha entre 7 e 8 anos, também participou de apresentações fora do ambiente religioso, como o concurso Canto Novo, em Araraquara (SP), representando o Ministério Adonai ao lado de músicos de Ibaté. A profissionalização veio cedo. Entre 8 e 9 anos, ele já tocava com artistas da região e, aos 12, entrou para a Banda Babilônia, tradicional banda de baile. “Banda de baile é uma das melhores escolas que existem”, ouviu do professor Danilo Hansen antes de aceitar o convite. A experiência trouxe resistência de palco, versatilidade e domínio de repertório. Leonardo Camargo Baterista Redes sociais Momento decisivo Leonardo contou que aos 15 anos seu pai chamou para uma conversa que nunca esqueceu. Ali, sentados no sofá da sala, a pergunta foi direta: "Eu preciso saber o que você quer para sua vida. Se não for a música, tudo bem, eu te coloco em algum curso. Mas, se for a música, você precisa assumir isso de verdade, levar a sério e assumir essa responsabilidade para sua vida" Foi ali que ele decidiu. Já amava tocar, mas naquele momento, com aquela conversa ele escolheu conscientemente que a música seria a sua carreira, fonte de renda e seu propósito. A partir dali, mergulhou de cabeça. Na adolescência, começou tocar em barzinhos, fazer freelances sertanejos em São Carlos e o aprofundamento técnico, com passagem pelo Conservatório de Tatuí (SP), no curso de MPB/Jazz. “Foi ali que ampliei meu vocabulário musical e passei a entender a música de forma mais completa.” O primeiro grande salto na carreira aconteceu com o convite para integrar a banda da dupla Henrique e Diego. “Foi um divisor de águas. Eu era muito novo e, de repente, estava em grandes palcos, rodeios, festivais e aparecendo pela primeira vez na televisão.” A experiência abriu portas e consolidou o nome do músico no circuito nacional. A partir daí, vieram turnês pelo Brasil e trabalhos com outros artistas do sertanejo como Guilherme e Benuto e outras celebridades. Leonardo demonstra gratidão por cada pessoa que cruzou seu caminho e acredita que ninguém chega a lugar nenhum sozinho. Ele lembra que músicos, amigos e bandas tiveram um papel importante na sua formação. Convite para a banda de Ana Castela Leonardo Camargo Baterista Redes sociais O convite para tocar com Ana Castela surgiu em março de 2024 por meio de indicação profissional. O baterista já conhecia o técnico de monitor William, conhecido como Alemão, desde trabalhos anteriores, ele conta que esse meio funciona muito por network, as pessoas vão conhecendo o trabalho, postura, e as oportunidades surgem. Quando a vaga apareceu, o nome dele já era conhecido entre os músicos do projeto. “Foi uma construção de anos, baseada em confiança e convivência.” Hoje, a rotina é intensa: viagens constantes, shows em diferentes estados e, em alguns casos, fora do país. Leonardo já conheceu todos os estados do Brasil, além de países da Europa e os Estados Unidos. O show que mais emocionou O baterista Leonardo Camargo, de Ibaté (SP), em foto com Ana Castela Reprodução/Instagram Entre tantos palcos marcantes, um show teve um significado especial: o rodeio de Ibaté. “Foi mais emocionante do que tocar fora do país. Eu me lembrava de quando meu pai me levava para assistir à passagem de som quando eu era criança. Anos depois, estar naquele mesmo palco, com minha família na plateia, foi indescritível.” Ele lembrou que quando era criança, o pai o levava à tarde no rodeio para assistir à passagem de som e prestigiar os bateristas que tocariam à noite no palco principal. Ali ele ficava olhando aquela estrutura sendo montada e pensava: “será que um dia eu vou conseguir tocar aqui, com um artista nacional?” Ligação com a cidade e mensagem aos novos músicos Mesmo com a agenda cheia, Leonardo mantém o vínculo e ainda mora na cidade onde nasceu e cresceu. Ibaté foi onde tudo começou, onde ele aprendeu a tocar em grupo, a errar, e a sonhar alto. Ibaté representa o começo de tudo. Foi ali que ele teve as primeiras bandas e experiências tocando com outras pessoas e vivendo a música de forma coletiva. As bandas de rock que teve na cidade foram fundamentais na formação, porque foi ali que ele prendeu a tocar em grupo, a ouvir o outro, a respeitar o espaço de cada músico e a construir música junto. Para quem deseja seguir carreira na música, o conselho é direto: não há atalhos. "A música é assim: quanto mais você estuda, mais percebe o quanto ainda pode evoluir. Por isso, é fundamental ter boas influências, bons professores e mentores, e principalmente persistência. Estudar, estudar e não desistir." Ele finaliza com uma mensagem de gratidão. “Eu acredito muito que aquilo que é nosso, Deus não tira da gente. Mas fé caminha junto com atitude, esforço e preparo. Quando isso se encontra, as coisas começam a fazer sentido.” Veja mais notícias da região no g1 São Carlos e Araraquara