Arlete Salles fala da Josefa de 'Três Graças' e da vida aos 87 anos

No ar como a espirituosa Josefa de "Três Graças", Arlete Salles conta que se surpreendeu com a grande aceitação que sua personagem teve com o público. Entrevista: Emanuelle Araujo fala da volta às novelas após seis anos: 'Estava com saudade' Leia também: Cissa Guimarães fala da carreira, do selinho em Chico Buarque e da rotina atribulada: 'Estou namorando menos, o que acho um saco' — A Josefa tem sido uma surpresa diária. Eu tinha pouca expectativa com o papel. Mas a Josefa é vítima da filha, e vítima sempre inspira carinho, compaixão. Principalmente no início da novela, ela foi muito maltratada. Agora está mais suave. Ela é uma personagem idosa, como a nossa população. Eu achei, em princípio, que chegaria no coração das pessoas da idade da minha personagem. Mas acho que a Josefa foi além. Ela tem toques de comédia. As pessoas gostam de ser tocadas pelo humor. Às vezes, a vida oferece tantos desafios, então, quando chega alguma coisa que te alivia, que te faz sorrir… Isso é uma coisa que aproxima muito o ator do público. Tudo isso contribui para que a Josefa tenha alcançado esse lugar de carinho, de reconhecimento. Para mim, enquanto intérprete, é muito bom ver o meu trabalho reconhecido, sendo aplaudido. Tem sido uma bela experiência esse meu percurso com a Josefa. É uma boa novela, com histórias maravilhosas dentro dela. Arlete comemora a parceria com Sophie Charlotte, que vive Gerluce, a cuidadora de Josefa, e com o restante do elenco. — Eu gosto muito da Sophie. Gosto muito do meu convívio pessoal e também profissional com ela. É um presente ter aquela garota do meu lado. E tem a Grazi Massafera também, que está fazendo uma vilã maravilhosa. Temos Marcos Palmeira, Du Moscovis, que é um homem bonito e bom ator. Ele chegou chegando na novela. Gosto muito da dramaturgia do Aguinaldo Silva, até porque ele é nordestino, é lá das minhas bandas. Ele, como eu, não abre mão do humor. Tem o diretor Luiz Henrique Rios também, que se tornou meu amigo, uma pessoa adorável. Só tenho a agradecer por este momento profissional. E isso se reflete na minha vida pessoal, as duas caminham juntas. A atriz revela que sua motivação para aceitar o papel foi fazer uma homenagem para a avó, que, assim como sua personagem, chamava-se Josefa. Aos 87 anos, ela também reflete sobre a finitude da vida. — Só eu e minha avó, esteja ela onde estiver, íamos saber (da homenagem). Mas tenho que acreditar em vida depois da morte, senão fica muito difícil. Tenho que acreditar que tudo não acaba depois que fechamos os olhos para sempre. Como disse o Woody Allen, eu acho a morte um absurdo. É muito difícil, a finitude. Não lido bem com isso e conheço pouca gente no mundo que possa lidar bem com a ideia, com a certeza da nossa finitude. Começo a pensar numa vida após a morte, mas não tenho nem uma provinha de nada (risos). Fica difícil acreditar na vida após a morte e também fica difícil não acreditar nisso. Além da repercussão pelo papel em "Três Graças", nas redes sociais Alerte é citada frequentemente por um trabalho feito há mais de uma década: a Copélia, do seriado "Toma lá da cá", tema de muitos memes entre os internautas. Ela fala do sucesso da personagem, de quem diz ser bem diferente: — Estou longe de passar perto da Copélia (risos), mas ela teve um papel importante. O Miguel Falabella, através da Copélia, tratou do preconceito com os idosos terem vida sexual, amorosa, romântica. Era difícil. As pessoas têm uma intolerância. Mas ele falou disso através dessa personagem. Claro que usou cores fortíssimas. Divertindo ou não, ele estava falando de um assunto muito sério, que é a intolerância com a sexualidade dos idosos. Eu já fui mais animadinha, sou geminiana, amo a vida, amo estar aqui neste plano, mas vamos nos modificando com o tempo. Com a idade, com os anos que vão passando, os gostos vão se modificando. Você passa a priorizar coisas diferentes. Já fui bem animada, mas agora sou uma senhora recatada. Realmente, estou vivendo para o meu trabalho. Sou muito feliz na minha casa, com a minha família, com os meus cachorros, dou comida para os micos, para o gambá, ajudo os gatinhos em situação de rua. Isso tudo me faz feliz. Tenho uma casa agradável, gosto de ler, de ficar com a minha família. Não é que eu tenha perdido o amor pelas coisas e pela vida, os meus gostos mudaram, só foram para outro lugar. TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp Depois de "Três Graças", Arlete pretende se dedicar ao teatro. — O teatro é onde o ator se expressa em sua plenitude. Depois da novela, devo descansar, viajar, respirar, ficar em casa um pouco e já vou ensaiar um texto para o teatro. Não sei sobre projetos para a televisão, acho que para este ano não dá mais tempo. Está em aberto, porque tenho contrato vitalício com a Globo. Galerias Relacionadas Initial plugin text