O ministro Dias Toffoli , do Supremo Tribunal Federal (STF), nomeou por conta própria quatro peritos da Polícia Federal (PF) para atuar na extração de dados do material apreendido na Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master. A escolha não passou pela direção da corporação, contrariou o protocolo habitual e pegou investigadores de surpresa. Sem consultar a cúpula da PF, Toffoli definiu os nomes de Luís Filipe da Cruz Nassif, Tiago Barroso de Melo, Enelson Candeia da Cruz Filho e Lorenzo Victor Schrepel Delmutti para a função. + Leia mais notícias de Política em Oeste Segundo o despacho, eles “terão livre acesso ao material apreendido” e deverão contar com o apoio direto da Procuradoria-Geral da República (PGR) para os trabalhos. Como resultado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, avaliam recorrer da medida. Para integrantes da PF, o despacho representa interferência direta em atribuições técnicas da carreira pericial. https://www.youtube.com/watch?v=9ibcqF7Aea0 No início, Toffoli restringiu o acesso ao material à PGR. Depois, determinou que os bens apreendidos fossem lacrados e enviados diretamente ao STF. Agora, impôs seus próprios peritos, sem participação da PF. Risco de perda de provas acendeu alerta na PF Antes de determinar a atuação dos novos peritos, Toffoli já havia provocado reação dentro da corporação ao ordenar que todos os dispositivos eletrônicos — como celulares e computadores — permanecessem lacrados e sob guarda direta do STF. A CNN Brasil revelou que investigadores consideraram a decisão arriscada, por temerem a perda de provas relevantes. + Leia também: "Vaivém de Toffoli no caso Master preocupa investigadores, diz jornal" Entre os riscos apontados, destacava-se a possibilidade de acesso remoto aos aparelhos, o que poderia levar à destruição de dados sigilosos. Mesmo com os alertas, o ministro manteve o material fora do alcance da PF e o encaminhou à PGR. Na quarta-feira 14, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão expedidos pelo STF . Na ocasião, confiscou uma série de bens de alto valor, incluindo carros, celulares, uma arma e pelo menos 20 relógios de grife. As diligências marcaram a segunda fase da Operação Compliance Zero. Além da apreensão de bens físicos, o STF determinou o sequestro e o bloqueio de ativos que somam mais de R$ 5,7 bilhões. As ações ocorreram nos Estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. O post Compliance Zero: Toffoli afasta PF e nomeia peritos por conta própria apareceu primeiro em Revista Oeste .