Em menos de uma semana de programa o Big Brother Brasil já é assunto dentro e fora do país com o temido quarto branco. Na disputa pelas três vagas na casa do BBB, os participantes já passaram mais de 80 horas no cômodo. Pelo menos duas pessoas já desistiram. O desafio é imenso já que os confinados estão há cerca de quatro dias em um quarto fechado, sem ventilação externa, vestindo macacões largos e sem banho. Mas quais impactos isso pode ter no corpo? Segundo o dermatologista Pedro Jordão Caldas Ferreira, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia de São Paulo, mesmo sem fazer esforço ou suor visível, a pele continua funcionando intensamente levando a acúmulos de microorganismos. “Em 48 horas sem banho, ocorre acúmulo de sebo, células mortas, resíduos de tecidos, poluição e microrganismos que fazem parte da flora cutânea. Em ambientes fechados, com ar-condicionado e roupas mais justas ou sintéticas, há menor ventilação da pele, o que favorece alterações do pH, desequilíbrio da microbiota e sensação de oleosidade, coceira ou desconforto”, explica o especialista. Segundo ele, as áreas de dobra, como axilas, virilhas e atrás dos joelhos, tendem a ser as mais afetadas. Ficar dias sem tomar banho também pode levar a problemas dermatológicos. Chaiany, por exemplo, começou recentemente a se coçar. “Esse conjunto de acúmulos forma uma camada irritativa que pode provocar coceira, sensação de ardor e desconforto. O desequilíbrio da microbiota cutânea contribui para processos inflamatórios e aumento da sensibilidade”, afirma a dermatologista Ana Carolina Sumam. Do ponto de vista dermatológico, os especialistas afirmam que não há um tempo máximo em que o corpo possa ficar sem banho e que vai depender muitas vezes do próprio ambiente em que as pessoas se encontram. Se estão fazendo exercícios físicos, se há muita transpiração, o tipo de pele, nível de oleosidade, rotina, uso de roupas fechadas, entre outros. “Em climas quentes e úmidos, o risco aparece mais rapidamente. Já em ambientes frios e secos, pode haver maior tolerância — embora isso não elimine a necessidade de higiene”, diz Ferreira. Lencinho Chaiany Andrade, representante do Centro-Oeste, chegou a pedir para a produção liberar um lencinho umedecido. "Produção, libera um lencinho umedecido. Nós estamos fedendo, pô. Por favor, um lencinho umedecido pra limpar as partes íntimas." O pedido rendeu uma advertência na hora, mas, algumas horas depois, acabou sendo atendido. Quando o item foi liberado, veio acompanhado de um aviso direto da produção: "O lenço é para uso íntimo". Além dos lenços salvadores, os participantes, que até então vinham sobrevivendo apenas à base de água e bolacha, também receberam água de coco para ajudar na hidratação.