Treinador espanhol é foco do MPF em operação de R$ 468 mi do Master

O envolvimento de um treinador espanhol de futebol, atualmente à frente de um clube na Índia, como sócio de uma empresa brasileira que recebeu R$ 468,8 milhões do Banco Master, chama a atenção do Ministério Público Federal (MPF). O técnico afirma desconhecer qualquer ligação empresarial no Brasil e nega ter participado do negócio. + Leia mais notícias de Economia em Oeste Conforme publicação do jornal O Globo , o caso gira em torno da BMQ Mirage, registrada em São Paulo como atacadista de alimentos. A empresa, depois de obter o empréstimo milionário do Master, destinou R$ 444 milhões para um fundo gerido pela Reag. Esse fundo investia principalmente em títulos considerados sem valor, pertencentes ao extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Ligação do treinador espanhol com o Master e o Brasil https://www.youtube.com/watch?v=EnfjjZtV7yo&pp=0gcJCU8KAYcqIYzv Juan Pedro Benali Hammou, técnico do NorthEast United, aparece como sócio da BMQ Mirage. Apesar disso, ele garante que não mantém empresa no país e que não conhece os envolvidos. Documentos da instituição confirmam sua nacionalidade, residência em Abu Dhabi e um CPF brasileiro, que ele diz não reconhecer. "Sou um treinador de futebol", afirmou, segundo o Globo . "Não faço ideia de uma empresa no Brasil. Só conheço pessoas ligadas ao futebol." Leia mais: "Os tentáculos do Master" , reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 305 da Revista Oeste O contador João Fernando Machado de Miranda atuou como procurador de Juan Pedro em 2012, ano de criação da empresa. Miranda relatou que foi responsável pelo aporte inicial de R$ 500 mil enviado pelo espanhol, mas deixou a sociedade em 2013. Segundo ele, o plano original era atuar no setor de cana-de-açúcar, projeto que não prosperou. Ainda conforme o jornal, Juan Pedro reconheceu a própria assinatura em uma procuração, mas demonstrou surpresa com o fato. "Como eles conseguiram a minha assinatura?", questionou. "Estou ficando com medo." Operação financeira e questionamentos sobre o empréstimo O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro | Foto: Divulgação/Master O contrato de crédito entre a BMQ Mirage e o Banco Master, assinado em junho de 2024, previa que pelo menos 90% do valor emprestado fosse direcionado ao fundo da Reag. O advogado da empresa, Pedro Jaguaribe, inicialmente afirmou que o débito foi quitado, depois alegou que o contrato foi desfeito e não houve investimento efetivo. Ele classificou o aporte como mera “questão contábil”. Sobre a participação do técnico espanhol, o advogado descreveu Juan Pedro como sócio investidor estrangeiro e mostrou surpresa diante da negativa pública do treinador. “Desconheço, até porque a gente está sempre falando com o Juan Pedro”, disse. Leia também: "Inspeção Master" , reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 304 da Revista Oeste Relatórios da Compliance Zero detalham que o Master concedia empréstimos a empresas que, em seguida, transferiam praticamente todo o valor para fundos da Reag, compostos por ativos de baixa liquidez. As transações movimentavam valores entre diferentes fundos em poucos dias, o que elevou artificialmente o valor dos títulos. Em uma das operações analisadas, o valor dos papéis aumentou em 10.502.205%, percentual muito acima de qualquer parâmetro de mercado. No encerramento do ciclo, os recursos eram devolvidos ao Banco Master via aquisição de títulos de depósito bancário (CDBs). O post Treinador espanhol é foco do MPF em operação de R$ 468 mi do Master apareceu primeiro em Revista Oeste .