‘De Polo a Polo’: Pesquisador brasileiro conta bastidores de gravação com Will Smith em nova série documental

O ator, rapper e produtor norte-americano Will Smith incluiu a ciência brasileira em sua jornada por regiões extremas do planeta na série documental De Polo a Polo, da National Geographic. Durante as gravações, o astro visitou o Criosfera 1, laboratório projetado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e instalado no interior da Antártica, a cerca de 600 quilômetros do polo sul geográfico. A produção estreia no canal na próxima segunda-feira e já tem episódios disponíveis no Disney+. Mashco Piro: Imagens inéditas revelam maior tribo isolada do mundo em encontro raro na Amazônia; veja vídeo Repercussão internacional: Nutricionista e influenciadora sofre acidente em mergulho em SP e segue na UTI; Flávia Bueno teve lesões graves na medula e no cérebro Coordenador do Laboratório de Radioecologia e Mudanças Globais (Laramg) da Uerj, o professor Heitor Evangelista acompanhou as gravações na Antártica e no Rio de Janeiro e descreveu a experiência como intensa e espontânea. Ao GLOBO, ele contou que o encontro foi positivo, elogiou o ator e a equipe de filmagens, que classificou como "altamente profissional". — Encontrar o Will Smith e o pessoal da produção do NatGeo foi muito legal, muito interessante. Passamos o dia fazendo a gravação na Antártica e depois gravamos em estúdio, aqui no Rio de Janeiro. Quando trabalhamos em uma região tão remota não encontramos ninguém, e alguém como ele aparece, é uma surpresa. O Will é uma pessoa carismática, experiente, inteligente, divertido e muito curioso, tem uma capacidade excelente de formular boas perguntas de improviso — afirmou. É do Brasil: Criosfera 1 é referência global nas pesquisas de interação do clima na Antártica Divulgação Segundo o professir, os produtores não passaram nenhum roteiro para as gravações, e os diálogos vistos na série foram espontâneos. — Ele não tinha nenhum script. As coisas foram fluindo, a cena do bate-papo na barraca foi natural, uma coisa foi puxando a outra — relatou Evangelista. 'De Polo a Polo' A série acompanha Will Smith por 100 dias em pontos remotos do planeta, como o Ártico, o Himalaia e desertos africanos. Além da Antártica, o Brasil também aparece na Floresta Amazônica. Em cada local, o ator dialoga com cientistas e comunidades para entender desafios ambientais e pesquisas em curso. Na Antártica, Smith conheceu de perto o Criosfera 1, plataforma científica brasileira que opera exclusivamente com energia solar e eólica e funciona de forma totalmente automatizada no interior do continente. — Nosso laboratório é o único módulo autônomo no centro da Antártica que mede diversos parâmetros, desde meteorologia até raios cósmicos, de forma absolutamente automática. Isso nos coloca num patamar bastante interessante no contexto do monitoramento climático no centro da Antártica — destacou o pesquisador. Pesquisadores do Inpe, INMET e Uerj se reúnem com Will Smith na Antártida Divulgação Inaugurado em 2012, o Criosfera 1 fica a aproximadamente 2.500 quilômetros ao sul da Estação Comandante Ferraz. A visita do ator ocorreu no verão antártico de 2022 e teve como objetivo mostrar como cientistas brasileiros conduzem pesquisas de ponta sobre mudanças climáticas em condições extremas. Para o professor, a visibilidade ajuda a aproximar a ciência do público. — No Brasil, estamos em uma fase com mais divulgação científica, tenho observado mais interesse das pessoas por esse assunto. A ciência brasileira descobre coisas maravilhosas, e isso muitas vezes fica longe do público leigo. Ficamos muito contentes em divulgar o laboratório, o mais distante do Brasil, é um projeto que nos dá orgulho. O Criosfera 1 é a única plataforma de geofísica que funciona no centro da Antártica de forma automática, e isso por mais de 14 anos — disse. Parcerias e avanço sustentável O Criosfera 1 reúne pesquisas em parceria com instituições como UFRGS, CBPF, UFPR, USP e a Faurgs. Em dezembro de 2025, o Laramg concluiu a primeira expedição à Antártica com neutralidade total de carbono, estabelecendo um novo protocolo de sustentabilidade para a comunidade científica internacional e ampliando a projeção do Programa Antártico Brasileiro (Proantar). O projeto conta ainda com apoio do INCT da Criosfera, Inpe, Inmet, MCTI, CNPq, Faperj, Finep e da Secirm, consolidando uma rede que coloca a pesquisa brasileira em posição de destaque no monitoramento climático global.