Convulsão, estresse extremo e saúde integral: o que especialistas explicam após a saída de Henri Castelli do BBB 26

A saída de Henri Castelli do Big Brother Brasil 26, após sofrer duas crises convulsivas nos primeiros dias de confinamento, reacendeu um debate que vai além do entretenimento: o cuidado integral com a saúde em situações de estresse físico e emocional extremos. O ator passou mal durante a primeira Prova do Líder e recebeu atendimento médico imediato, sendo levado ao hospital para exames. Após retornar à casa, sofreu uma nova convulsão. Diante do quadro, a produção decidiu encerrar sua participação no programa. O anúncio foi feito ao vivo por Tadeu Schmidt. Desde então, Henri segue em observação médica, com exames considerados satisfatórios, segundo comunicado divulgado por sua equipe. Para especialistas ouvidos pela ELA, crises convulsivas como essa raramente têm uma única causa. Elas costumam ser o resultado de uma combinação de fatores metabólicos, neurológicos e emocionais, especialmente quando o organismo é submetido a níveis elevados de pressão. Do ponto de vista nutricional, o médico nutrólogo Lucas Luquetti explica que deficiências de vitaminas e minerais podem funcionar como gatilhos importantes, sobretudo em momentos de estresse intenso ou descarga de adrenalina. “A falta de nutrientes e vitaminas pode favorecer convulsões quando o corpo entra em um estado de alto consumo energético. Se já existem déficits prévios, o sistema nervoso pode se descompensar”, afirma. Entre as vitaminas mais sensíveis nesse contexto, Luquetti destaca a vitamina B1 (tiamina), essencial para o metabolismo da glicose no cérebro. A deficiência compromete a produção de energia neuronal. Também entram no radar a vitamina B6, ligada à síntese de neurotransmissores inibitórios; a vitamina B12, fundamental para a integridade da mielina; e a vitamina D, que participa da modulação neuromuscular e inflamatória. Nos nutrientes, o alerta recai sobre o magnésio, que ajuda a estabilizar a membrana neuronal; o sódio, indispensável para a condução dos impulsos nervosos; e a glicose, principal combustível do cérebro. Alterações como hipoglicemia, hiponatremia e hipomagnesemia estão entre as causas metabólicas mais clássicas de convulsão. O médico também chama atenção para dietas extremamente restritivas. “Uma alimentação que proteja o sistema neurológico não pode ser baseada em restrições severas”, diz. O consumo regular de ovos, carnes, inclusive carnes vermelhas e vísceras, peixes, frutas, vegetais, tubérculos e oleaginosas ajuda a manter o equilíbrio metabólico. Em contrapartida, jejuns prolongados sem adaptação, excesso de álcool e ultraprocessados aumentam o risco de descompensações. Além dos exames neurológicos, Luquetti ressalta a importância da investigação laboratorial, com avaliação de vitaminas do complexo B, vitamina D, eletrólitos, magnésio, glicemia, insulina e hemoglobina glicada, entre outros marcadores. Mas os efeitos de uma convulsão não se restringem ao corpo. Segundo a psicóloga Júlia Piccelli, o impacto emocional costuma ser imediato e profundo. “O mais comum depois de uma convulsão é o medo de que aconteça novamente. Muitas pessoas desenvolvem ansiedade antecipatória, ficam hipervigilantes e passam a evitar situações por receio de perder o controle”, explica. Esse medo, segundo ela, é considerado uma reação esperada após um evento imprevisível e assustador. O problema surge quando passa a limitar a rotina e as escolhas. “Quando o medo começa a organizar a vida da pessoa, estamos diante de um sofrimento que precisa de atenção”, afirma. Nesse cenário, a psicoterapia tem papel central. A abordagem com mais evidências é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que ajuda a reduzir pensamentos catastróficos e comportamentos de evitação. A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) também é indicada para trabalhar a convivência com a incerteza sem que o medo paralise a vida. Práticas simples, como manter uma rotina de sono, seguir corretamente o tratamento médico, identificar possíveis gatilhos, aprender técnicas de respiração e retomar atividades gradualmente, ajudam a recuperar a sensação de controle. Ter um plano claro sobre o que fazer diante de sintomas iniciais também reduz a ansiedade. Para os especialistas, o caso de Henri Castelli expõe um ponto-chave: convulsões raramente surgem do nada. Elas costumam ser o reflexo de um organismo operando no limite, física e emocionalmente. Com acompanhamento médico, atenção à nutrição e suporte psicológico adequado, é possível recuperar autonomia e qualidade de vida, mesmo após um episódio tão impactante.