Ao autorizar a prisão temporária da delegada Layla Ayub, o juiz Paulo Fernando Deroma de Melo, da 2ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital, apontou que ela agiu com “deboche” e “ousadia absurda” ao levar o namorado, apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), à cerimônia da própria posse no Palácio dos Bandeirantes. Leia mais: Delegada de SP presa advogou para namorado ligado ao PCC e pediu para Google apagar menções criminosas sobre ele Layla foi empossada delegada em 19 de dezembro, junto a outros 523 novos delegados, em uma solenidade que contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Na ocasião, ela levou seu companheiro, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, que já havia sido condenado por pertencer à organização criminosa e estava em liberdade condicional. “Se o fato já não fosse de extrema gravidade, poucas vezes vistas, Causando surpresa até àqueles que laboram na Justiça Criminal há anos, se comprovado, demonstra uma ousadia absurda e um total deboche das autoridades públicas quando um suposto integrante do alto escalão do PCC, com condenações criminais, suspeito de ser responsável por possíveis atentados contra a vida de juízes e outros agentes da Segurança Pública, comparece à cerimônia de posse de sua companheira como Delegada de Polícia do Estado de São Paulo que, novamente, em tese, estaria atuando em conjunto com o crime organizado”, escreve o magistrado na decisão. Segundo o juiz, é necessário o aprofundamento das investigações, mas os indícios “são mais do que veementes, com gravações, termos de audiência, fotografias, dentre outros elementos”, que demonstram a relação dos dois. Dedel é apontado como uma das lideranças do PCC na Região Norte do país, segundo investigações da Polícia Civil de Roraima e do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Dedel foi preso em 2021 por tráfico de drogas, em 2023 deixou a prisão em uma saída temporária e fugiu. No mesmo ano, entretanto, ele foi preso novamente, em Marabá, no Pará. Em 2025, foi beneficiado com liberdade condicional, mas não poderia sair da cidade paraense. Entretanto, ele e Layla foram para São Paulo. Os dois moravam juntos no Jardim Bonfiglioli, Zona Oeste da capital. Nesta sexta, os dois foram presos temporariamente. Na decisão, o magistrado ainda aponta para a possibilidade do próprio PCC ter trabalhado para infiltrar Layla na Polícia Civil paulista. Segundo o juiz, isso demonstraria que “se já não nos tornamos um narcoestado, estamos a poucos passos para isso”. Por enquanto, MP-SP diz que não há respaldo para essa hipótese. Durante coletiva de imprensa após a operação, o promotor Carlos Gaya afirmou que aparentemente foi uma ação individual de Layla. — Os indícios não indicam que ela foi cooptada para que ela fosse formada para ser uma delegada de polícia, nada nesse sentido. Parece que foi uma ação individual, de fato. Ela atuando como advogada acabou sendo cooptada no curso da atividade dela como advogada, na região do Pará, e circunstancialmente acabou sendo aprovada aqui no concurso, o que trouxe um risco concreto para a segurança de São Paulo, mas foi logo identificado aí — disse.