Moraes inclui Coaf e Receita Federal no inquérito das fake news

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no inquérito das fake news. O objetivo é apurar um suposto vazamento de dados fiscais envolvendo integrantes da Corte. Segundo Moraes, a decisão se justifica porque o inquérito das fake news tem como objetivo investigar ataques dirigidos aos ministros do Supremo. Ele autorizou a abertura desse novo desdobramento da apuração na última terça-feira, 13, com direcionamento do foco para a atuação da Receita e do Coaf. A informação foi divulgada pelo portal Poder360. + Leia mais notícias de Política em Oeste Não se trata da criação de um novo inquérito no STF, mas da ampliação das investigações já em curso no âmbito do inquérito das fake news, que também tem sido utilizado para apurar supostas ações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro contra a Corte. Alexandre de Moraes quer o fim das 'milícias digitais' | Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo Em nota, a Receita Federal afirmou que recebe rotineiramente solicitações judiciais de informações, mas não comenta casos específicos em razão do sigilo tributário e judicial. "A Receita é órgão técnico que se pauta pela legalidade e proteção de dados sujeitos ao sigilo fiscal nas suas ações, respondendo os processos judiciais com base nas informações de que dispõem", afirmou em nota. O Coaf, por sua vez, informou que não irá se manifestar sobre o tema. Inquérito das fake news vai completar 7 anos O inquérito das Fake News foi instaurado em março de 2019, quando o STF era presidido por Dias Toffoli. Na ocasião, o ministro determinou a abertura da investigação de ofício, sem provocação de autoridades investigativas, com base no artigo 43 do regimento interno da Corte, que autoriza a instauração de inquérito em caso de infração penal ocorrida nas dependências do tribunal. Toffoli designou Alexandre de Moraes como relator. O inquérito surgiu em meio ao aumento de críticas nas redes sociais ao STF e a seus ministros. Pouco depois de instaurado, porém, a investigação foi utilizada para retirar do ar uma reportagem da revista digital Crusoé , que revelou um apelido atribuído a Dias Toffoli em e-mails trocados por executivos da Odebrecht. Dias Toffoli decidiu que o empreiteiro Marcelo Odebrecht não cometeu as ilegalidades que confessou em depoimento eternizado num vídeo | Foto: Reprodução/Redes Sociais O novo contexto da investigação ocorre paralelamente ao avanço das apurações da Polícia Federal sobre fraudes envolvendo o Banco Master. Reportagem do jornal O Globo mostrou que a mulher de Alexandre de Moraes manteve um contrato de R$ 129 milhões , com duração de três anos, com o banco de Daniel Vorcaro, para serviços de consultoria e representação judicial. Já o jornal Folha de S.Paulo revelou que um resort ligado a irmãos de Dias Toffoli recebeu R$ 20 milhões de um fundo apontado como parte da estrutura criminosa associada ao banco. Diante dessas informações, segundo o portal SBT News, Moraes decidiu abrir essa nova frente de investigação sob o argumento de que os dados divulgados pela imprensa podem ter origem em vazamentos da Receita Federal e do Coaf. + Ives Gandra Martins: " O inquérito das fake news enfraquece a democracia " O post Moraes inclui Coaf e Receita Federal no inquérito das fake news apareceu primeiro em Revista Oeste .