Mais de 45 militares venezuelanos morreram em operação dos EUA, diz ministro

Mais de 45 militares da Força Armada venezuelana morreram na operação militar dos Estados Unidos que derrubou o presidente Nicolás Maduro, na qual houve cerca de uma centena de mortos, informou nesta sexta-feira o ministro da Defesa, Vladimir Padrino. Militares americanos bombardearam, em 3 de janeiro, a capital venezuelana e cidades adjacentes em uma operação que culminou com a captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, que agora enfrentam um julgamento por narcotráfico em Nova York. Nesse ataque, morreram 32 cubanos membros da equipe de segurança de Maduro, homenageados na quinta-feira em Havana. Janaína Figueiredo: A era Delcy na Venezuela Entenda: Como Trump escolheu a chavista Delcy Rodríguez como nova líder da Venezuela após captura de Maduro O balanço oficial apontava pelo menos 100 mortos. Nesta sexta-feira, o ministro Padrino assegurou que foram registrados "um total de 83 falecidos, mais de 112 feridos". — Aí estão 47 homens e mulheres da Força Armada Nacional Bolivariana. Nove mulheres, entre eles, que deram a sua vida — disse durante uma missa em homenagem aos mortos. — O que fizeram nossos homens e mulheres da nossa Força Armada Nacional Bolivariana diante da agressão militar? Dar a sua vida, cumpriram com a história, com a pátria. O Exército venezuelano havia publicado na semana passada, em sua conta no Instagram, notas fúnebres de 23 militares mortos: cinco alunos da escola militar, 16 sargentos e dois soldados. A vice-presidente de Maduro, Delcy Rodríguez, seguinte na linha de sucessão e que assumiu a Presidência interina após o ataque, decretou sete dias de luto nacional pelos mortos. Leia também: Mobilização militar dos EUA no Caribe e impossibilidade de derrubar regime forçam recálculo de Trump sobre o Irã O poderoso ministro do Interior, Diosdado Cabello, informou na terça-feira que as autoridades trabalham na identificação de "restos humanos" encontrados após a operação dos Estados Unidos. Tributo aos cubanos mortos Soldados cubanos seguram retratos dos 32 soldados cubanos que perderam a vida durante a incursão dos EUA na Venezuela Yamil Lage / AFP Na quinta-feira, cubanos realizaram um tributo nacional aos 32 militares mortos. Depois de uma cerimônia em homenagem aos falecidos no aeroporto internacional de Havana, na presença do líder Raúl Castro, de 94 anos, e do presidente, Miguel Díaz-Canel, as cinzas dos militares foram trasladadas até o Ministério das Forças Armadas Revolucionárias. Os cubanos foram convocados a se reunirem neste local, próximo da emblemática Praça da Revolução, coração político do país, para este tributo póstumo. Membros das Forças Armadas Revolucionárias e trabalhadores civis, organizados em uma longa fila, encabeçaram as homenagens aos mortos com saudações militares, ao passar em frente às urnas cobertas com bandeiras cubanas, ao lado de condecorações e fotografias. Cubanos exibem uma faixa contra o presidente dos EUA, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, durante um protesto "anti-imperialista" em frente à embaixada dos EUA YAMIL LAGE / AFP — É um momento muito triste estar aqui recebendo nossos companheiros, mas ao mesmo tempo sentimos muito orgulho porque sabemos que defenderam sua posição até a morte — disse à AFP a tenente-coronel Magalys Leal, de 55 anos. Para chegar ao ministério, alguns desafiaram a chuva e os problemas de transporte resultantes de uma severa crise econômica. Alguns choravam ou seguravam a bandeira cubana contra o peito, outros levavam flores. Cubanos no cortejo fúnebre que transportava os restos mortais dos 32 soldados cubanos mortos durante a incursão dos EUA para capturar Maduro Yamil Lage / AFP A bordo de veículos militares, as 32 urnas percorreram os 12 km que separam o aeroporto do ministério. Dos dois lados da via, milhares de cubanos aplaudiram a passagem da caravana. — Trump está meio mal da cabeça e não merece nem estar no poder — opinou o cozinheiro Fernando Mora, de 53 anos. Oitenta por cento dos cubanos passaram toda a sua vida sob o embargo que Washington impõe à ilha desde 1962. Além disso, por mais de seis décadas enfrentaram todo tipo de ameaças e fortes momentos de tensão com seu vizinho poderoso.