Ditador de Uganda vence eleição pela 7ª vez seguida

O ditador de Uganda, Yoweri Museveni, caminha para um novo mandato depois de vencer as eleições gerais realizadas nesta quinta-feira, 15. No poder desde 1986, Museveni alcançou sua sétima vitória consecutiva em disputas presidenciais. A apuração ocorre em meio a denúncias de fraude pela oposição e protestos com repressão violenta, que resultaram em pelo menos sete mortes, de acordo com a agência Reuters. De acordo com dados preliminares divulgados pela corte eleitoral do país, Museveni liderava a contagem com cerca de 74% dos votos, enquanto o principal opositor, o músico Bobi Wine, aparecia com aproximadamente 23%. A eleição foi realizada sob um bloqueio nacional da internet, imposto pelas autoridades, e foi acompanhada por forte presença de forças de segurança. + Leia mais notícias do Mundo em Oeste A tensão aumentou depois do pleito. O partido de Wine, a Plataforma de Unidade Nacional, afirmou que o líder da oposição foi retirado pelo Exército de sua residência em Kampala, capital do país, e levado de helicóptero para um local desconhecido. Antes disso, o próprio partido já havia afirmado que Wine estava sob “prisão domiciliar efetiva”. O opositor denunciou “fraude em massa” durante a votação e pediu que seus apoiadores protestassem contra o resultado. Uganda vive uma onda de protestos | Foto: ABUBAKER LUBOWA/REUTERS (arquivo) O contexto eleitoral foi marcado por denúncias de repressão contra a oposição. Organizações internacionais como a Anistia Internacional e a Organização das Nações Unidas relataram intimidação , uso de força excessiva em comícios oposicionistas e detenções de militantes durante a campanha. Os protestos contra o resultado e a repressão registrada depois da votação deixaram ao menos sete mortos, segundo a Reuters. Ainda assim, as autoridades eleitorais mantiveram a divulgação dos resultados, que consolidam mais um mandato de Museveni à frente do país africano. Protestos em Uganda deixam mortos A votação ocorreu de forma relativamente tranquila durante o dia, mas a violência começou poucas horas depois do fechamento das urnas. Durante a madrugada, mortes foram registradas em Butambala, a cerca de 55 quilômetros da capital, enquanto cidadãos e militantes acompanhavam a divulgação dos resultados. A polícia afirmou que grupos de opositores armados com facões atacaram uma delegacia e um centro de apuração. A porta-voz da corporação, Lydia Tumushabe, disse à Reuters que “a segurança reagiu em legítima defesa porque essas pessoas vieram em grande número”. Segundo ela, policiais atiraram para se defender e 25 pessoas foram presas. O deputado da oposição Muwanga Kivumbi apresentou uma versão diferente. Ele afirmou que as mortes ocorreram dentro de sua residência, onde apoiadores aguardavam o anúncio do resultado de sua eleição parlamentar. “Eles mataram 10 pessoas dentro da minha casa”, disse. Segundo Kivumbi, “havia pessoas dentro da garagem esperando os resultados para celebrar minha vitória”. Ele acrescentou: “Eles arrombaram a porta da frente e começaram a atirar dentro da garagem, foi um massacre.” A crise ocorre em um país com histórico de governos autoritários e longos períodos de concentração de poder. Uganda viveu sucessivas rupturas institucionais desde sua independência, em 1962, com destaque para a ditadura de Idi Amin , que governou o país na década de 1970. Seu regime ficou marcado por execuções em massa, perseguição sistemática de opositores políticos e expulsão de minorias étnicas. Levantamento compilado pela Anistia Internacional estima que cerca de 500 mil pessoas foram mortas durante seus oito anos no poder. Há 40 anos, Uganda é governada por Museveni, que chegou ao cargo em 1986, depois de uma guerra civil. Ele venceu os pleitos de 1996 — dez anos depois de sua chegada ao poder —, 2001, 2006, 2011, 2016, 2021 e 2026. Ao longo desse período, Museveni promoveu mudanças legais que permitiram sua permanência no cargo, como a retirada do limite de mandatos, em 2005, e do limite de idade para candidatos à Presidência, em 2017, o que possibilitou novas candidaturas mesmo depois dos 75 anos. Hoje, ele tem 81 anos. Leia também: "O colapso do ditador" , reportagem de Eugenio Goussinsky publicada na Edição 247 da Revista Oeste O post Ditador de Uganda vence eleição pela 7ª vez seguida apareceu primeiro em Revista Oeste .