Investigação aponta uso de ‘laranjas’ em fundos do Banco Master

Autoridades identificaram indícios de movimentações financeiras simuladas, uso de intermediários e manipulação de preços de ativos em fundos ligados ao Banco Master, sob controle de Daniel Vorcaro. Esses elementos constam em documentos do Ministério Público Federal (MPF ) em São Paulo, enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), que apuram suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo o banco. + Leia mais notícias de Economia em Oeste A segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira 14, usou esses materiais como base. De acordo com a apuração, o Banco Master investiu mais de R$ 3,5 bilhões em fundos sob sua gestão, sendo R$ 1,8 bilhão destinados à compra de notas comerciais emitidas por empresas relacionadas aos sócios. O MPF apontou “fortes indícios de estruturação financeira irregular e simulação de operações”. https://www.youtube.com/watch?v=pm-rbLNdno4 Estratégias de ocultação do Banco Master Em manifestação obtida pelo jornal O Estado de S. Paulo , o MPF relatou que o banco aplicava recursos obtidos no mercado por meio de CDBs em fundos onde figurava como único cotista. Esses fundos adquiriram notas comerciais e direitos creditórios de empresas ligadas a sócios ou pessoas próximas ao Banco Master. Para os procuradores, houve aproveitamento de brechas no mercado de capitais e na fiscalização, movimentando ativos sem liquidez e com preços manipulados, em operações repetidas entre empresas relacionadas. A defesa de Daniel Vorcaro comunicou que colabora com as autoridades e seguirá todas as determinações judiciais de maneira transparente. A investigação também identificou o uso de “laranjas” para ocultar a verdadeira participação de controladores em empresas, prática já observada na primeira fase da investigação, em novembro. Um dos episódios descritos envolve uma clínica médica, cuja receita anual é de pouco mais de R$ 450 mil, mas que emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais sem garantias. A responsável pela empresa não possui patrimônio e recebeu auxílio emergencial durante a pandemia de covid-19. Segundo relatório da Polícia Federal (PF) ao STF, houve “aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização” com a utilização de fundos e uma rede de empresas com vínculos societários e familiares". A PF informou haver “indícios consistentes” de organização criminosa dedicada à gestão fraudulenta, indução ao erro de investidores, uso de informações privilegiadas, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. O MPF destacou o risco sistêmico ao sistema financeiro. Quebra de sigilo e redes de transferência de recursos Por solicitação da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, autorizou a quebra de sigilo bancário de empresas e investigados entre 2020 e 2025, período das operações suspeitas. Os investigadores constataram que o Master emprestava valores a empresas, que depois devolviam os recursos ao banco pela compra de CDBs. O MPF detalhou que, entre abril e maio de 2024, o Banco Master desembolsou R$ 1,45 bilhão, com retorno de R$ 1,38 bilhão via aquisição de CDBs pelos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95, cujos títulos foram resgatados nos dias seguintes. Leia também: "Os tentáculos do Master" , artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 305 da Revista Oeste Um exemplo citado indica que o Astralo 95 resgatou R$ 800 milhões e transferiu R$ 650 milhões ao fundo Termópilas, que por sua vez destinou o mesmo valor à Super Empreendimentos e Participações, empresa cujo sócio é Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Reportagem anterior revelou que Vorcaro usou a Super para adquirir uma mansão de R$ 36 milhões em Brasília, com empréstimo oriundo do próprio banco. Em nota, a defesa de Vorcaro afirmou que a relação com a Super é comercial, envolvendo compra e venda de ativos e contratos de locação, ressaltando o vínculo familiar público. Desdobramentos da investigação e novos alvos As investigações começaram depois de denúncia anônima recebida pela Polícia Federal, que continha o arquivo “Informações Banco Master”. Com isso, foi instaurado processo formal e iniciadas diligências para apurar crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, como gestão fraudulenta e formação de rede empresarial para práticas ilícitas. O empresário Nelson Tanure foi alvo de busca e apreensão na quarta-feira 14, sendo apontado como possível “sócio oculto” do Master e beneficiário da Lormont Participações, que detinha R$ 73,7 milhões em CDBs, representando 97% de uma das carteiras analisadas. Leia também: "Toffoli, ‘il pizzaiolo’" , artigo de Eugênio Esber publicado na Edição 304 da Revista Oeste A defesa declarou que Tanure não possui ligação societária com o banco e que só foi cliente, nas mesmas condições que outros investidores. O advogado de Tanure informou que a única medida tomada contra ele na segunda fase da operação foi a apreensão do celular. "O empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação”, afirmou a defesa de Tanure ao jornal Folha de S.Paulo . O post Investigação aponta uso de ‘laranjas’ em fundos do Banco Master apareceu primeiro em Revista Oeste .