O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) suspendeu a transferência de recursos ao Banco Master depois de identificar indícios de irregularidades em contratos de empréstimos consignados firmados com aposentados e pensionistas. A decisão foi confirmada pelo presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, em entrevista à emissora GloboNews nesta sexta-feira, 16. A medida foi adotada depois que análises internas acusaram o descumprimento de normas do instituto, além de falhas relevantes nos documentos apresentados pelo banco. Entre os problemas identificados estão a ausência de informações essenciais nos contratos e falhas na validação das assinaturas eletrônicas utilizadas nas operações. + Leia mais notícias de Economia em Oeste Desde setembro do ano passado, o Master estava impedido de conceder novos empréstimos consignados a aposentados e pensionistas, porque o acordo de cooperação com o INSS não foi renovado. Apesar disso, o órgão continuava a repassar recursos ao banco relativos a contratos que permaneciam em vigor. Agora, aproximadamente R$ 2 bilhões, vinculados a cerca de 250 mil contratos, permanecem sob apuração. Esses valores seguem retidos e só poderão ser liberados caso o INSS comprove a regularidade das operações. O bloqueio ocorreu depois do aumento do número de reclamações de beneficiários sobre os empréstimos contratados na instituição. Segundo Waller, o INSS solicitou ao banco o envio das cópias dos contratos para uma análise detalhada. Gilberto Waller Júnior, presidente do INSS | Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil Análise identificou falhas nos contratos do Master A avaliação técnica concluiu que os documentos não apresentavam de forma adequada a taxa de juros nem o custo efetivo total das operações. Além disso, os contratos utilizavam um modelo considerado insuficiente diante das exigências estabelecidas pelas regras da autarquia. Outro ponto central da apuração envolve as assinaturas dos segurados. De acordo com o presidente do INSS, as assinaturas aparecem como eletrônicas, mas “não apresenta o Código QR que permitiria a verificação de autenticidade”. Segundo ele, houve tentativa de negociação por parte do banco para a liberação dos recursos, mas o pedido foi negado. Waller afirmou que os valores continuarão bloqueados “até que fique comprovado que as assinaturas pertencem, de fato, aos aposentados e pensionistas”. Enquanto isso, os recursos permanecem sob custódia do poder público. Para tratar do caso, o INSS marcou uma reunião com o liquidante do Master, Eduardo Félix Bianchini , com o objetivo de discutir as pendências e estabelecer um prazo para a regularização. Caso o banco não consiga comprovar a validade das assinaturas dentro do período definido, os contratos de consignado serão cancelados, e os valores descontados indevidamente serão devolvidos aos beneficiários. O presidente do instituto também recomendou que aposentados e pensionistas que tiveram descontos em seus benefícios a partir de setembro procurem a ouvidoria do INSS para registrar reclamações e colaborar com a investigação. Segundo ele, a intenção é assegurar a proteção dos segurados e a correção das operações realizadas na folha de pagamento. Leia também: “Anatomia de uma fraude” , reportagem de Carlo Cauti publicada na Edição 301 da Revista Oeste O post INSS bloqueia R$ 2 bilhões em repasses ao Master por suspeita de irregularidades apareceu primeiro em Revista Oeste .