A tendência conhecida como coffee badging — ou “momento do cafezinho” — tem ganhado espaço como uma estratégia adotada por profissionais para lidar com a retomada do trabalho presencial. A prática consiste em ir ao escritório, registrar presença com o crachá, permanecer tempo suficiente para um café e uma breve conversa com colegas e líderes e, em seguida, retornar para casa para concluir a jornada de trabalho de forma remota. Café pode fazer mal? Veja quem deve evitar ou reduzir o consumo O comportamento começou a se espalhar em 2023, quando empresas passaram a exigir o retorno ao presencial após a pandemia, e deve ganhar ainda mais força em 2026, puxado pela Geração Z. De acordo com uma pesquisa da Monster, uma em cada oito pessoas afirma adotar o coffee badging, e 46% dos entrevistados apontam os profissionais mais jovens como os mais propensos a aderir à prática. Para muitos trabalhadores, o coffee badging funciona como uma forma de protesto discreto contra a obrigatoriedade do presencial. Um relatório da Owl Labs aponta que 69% dos colaboradores acreditam que a exigência de retorno ao escritório atende mais a expectativas tradicionais do que a ganhos reais de produtividade. Ao mesmo tempo, 60% dos profissionais em modelo híbrido dizem ser mais produtivos em casa, enquanto 30% afirmam manter o mesmo desempenho. A flexibilidade segue como prioridade no mercado de trabalho. Segundo o levantamento da Monster, 44% dos entrevistados afirmam que esse benefício é essencial para o equilíbrio entre vida pessoal e profissional. Ainda assim, muitas empresas continuam valorizando a visibilidade física no escritório. O estudo mostra que 42% dos profissionais sentem mais pressão para estar presentes do que para entregar resultados. Outros 21% relatam tentar equilibrar as exigências, cumprindo o mínimo necessário de presença enquanto preservam a flexibilidade do trabalho remoto. O peso financeiro e o tempo gasto no deslocamento também impulsionam a tendência. Transporte, alimentação, estacionamento e custos adicionais com cuidados de crianças ou animais tornam o trabalho presencial diário significativamente mais caro do que o remoto. Além disso, 14% dos entrevistados afirmam usar o coffee badging para evitar o trânsito em horários de pico. Em São Paulo, cerca de 152 mil profissionais gastam mais de duas horas por dia no trajeto entre casa e trabalho, segundo dados do Censo de 2022.