Após cobrar publicamente Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ameaçar lançar uma candidatura própria ao governo paulista, o PP tenta filiar o empresário Filipe Sabará, ex-secretário do governo João Doria e nome por trás dos encontros recentes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com representantes da Faria Lima, em São Paulo. A intenção é lançá-lo a deputado federal ou até mesmo a governador no próximo pleito. Mudança: Empresária Ana Biselli será nova secretária de Turismo de São Paulo Prisão: Tarcísio avalia que transferência de Bolsonaro foi positiva, mas insiste em prisão domiciliar No fim de 2025, o diretório estadual do PP divulgou uma nota em que reclama de dificuldades de comunicação e falta de atenção de Tarcísio a parlamentares e prefeitos do interior paulista. No texto, também mencionou a possibilidade de lançar um nome ao governo. Além de Sabará, que também foi um dos coordenadores da campanha de Pablo Marçal à prefeitura de São Paulo no ano passado, outro postulante cogitado pelo partido é o ex-governador Rodrigo Garcia. Tanto ele quanto Sabará estão sem partido. O presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), admite a insatisfação com Tarcísio, mas reafirma apoio ao governador em uma eventual tentativa de reeleição, de olho na campanha de Guilherme Derrite (PP). O ex-secretário de Segurança Pública do estado vai disputar uma vaga no Senado. — Os prefeitos reclamam de falta de atenção, de diálogo. Mas não é uma coisa só do Progressistas. Eu conversei com alguns presidentes de partido. Todos reclamam disso. Mas nada que inviabilize o apoio ao Tarcísio, pois a prioridade do partido é o Derrite. E o melhor caminho para a eleição dele é a aliança com o Tarcísio — disse. O presidente do PP diz ver com bons olhos uma possível filiação de Sabará à legenda, mas que prefere o ex-secretário candidato a outro cargo. A posição de Nogueira, porém, não é unânime no partido. Um deputado do PP de São Paulo, ouvido reservadamente, diz que as queixas podem inviabilizar apoios importantes no interior. Segundo ele, como Tarcísio ganhou em 2022 praticamente sem alianças nas cidades — o PSDB possuía mais de 230 prefeitos de um total de 645 municípios —, o governador tem minimizado a importância dos prefeitos, sobretudo devido a sua alta popularidade no estado. Aliados do governador avaliam que a insatisfação do PP se deve à perda de espaço no governo com a saída de Derrite. A secretaria é ocupada pelo delegado Nico, sem filiação partidária. Para um prefeito de uma grande cidade apoiador de Tarcísio, a ala paulista da legenda busca apenas recuperar o terreno perdido, o que a direção do PP nega. Procurados, Tarcísio e o secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lima, afirmaram em nota que o governo “mantém diálogo constante com lideranças políticas e gestores municipais, bem como agenda contínua de reuniões com prefeitos e vice-prefeitos de todas as regiões do estado”.