Voo nacional de Ratinho Jr. no PSD esbarra em alianças locais de seis estados

Empenhado em viabilizar seu nome para disputar o Palácio do Planalto este ano, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), deve encontrar dificuldades para ter o apoio de lideranças do seu próprio partido em pelo menos seis estados. Nesses locais, os diretórios já estão comprometidos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende concorrer à reeleição, ou outros candidatos. A pretensão de Ratinho esbarra em alianças locais, especialmente em redutos considerados estratégicos para o partido no Sudeste, Nordeste e Norte do país. São Paulo: Tebet recebe convite do PSB, avalia candidatura e vai conversar com Lula para definir futuro Sóstenes: Líder do PL registrou venda de imóvel 11 dias após operação da PF apreender R$ 430 mil em espécie A primeira sinalização mais clara sobre a candidatura nacional feita por Ratinho ocorreu na última quarta-feira. Na saída de um evento no Palácio Iguaçu, o governador afirmou que “aceitaria o desafio” se for o escolhido para “liderar um novo projeto para o Brasil”. Na prática, o movimento marca o interesse da sigla em lançar um nome na disputa, que ganhou força após o anúncio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como pré-candidato. O presidente da sigla, Gilberto Kassab, é secretário na gestão estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também trabalha para se viabilizar na corrida nacional. Os desafios do paranaense começam por Minas Gerais, onde a sigla terá como candidato ao Palácio Tiradentes o vice-governador Matheus Simões. Ele deixou o Partido Novo no ano passado, mas decidiu manter o apoio ao governador Romeu Zema (Novo), que tem se colocado na disputa presidencial. Zema também tem sido cortejado para vice em uma chapa da direita, mas descartou publicamente a ideia. Já no Rio, o prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), deverá estar no mesmo palanque que Lula, mesmo após a aliança ter sido colocada em dúvida por acenos feitos por ele ao bolsonarismo ao longo dos últimos meses. A aproximação com o governador Cláudio Castro (PL) e críticas do vice-prefeito, Eduardo Cavaliere à atuação do PT na segurança incomodaram o partido do presidente, Nesta semana, no entanto, Paes esteve em Brasília e buscou reiterar a lealdade ao petista, como mostrou a newsletter “Jogo Político”, do GLOBO. Aliado ao PT no Nordeste O PSD também estará junto a Lula na Bahia, onde a sigla permanecerá na base do governador Jerônimo Rodrigues (PT), depois de ter sido liberada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, para manter o arranjo estadual. A aliança será mantida mesmo em meio às articulações para a formação de uma chapa puro-sangue para o Senado, composta pelo senador Jaques Wagner e o ministro da Casa Civil, Rui Costa. O acordo deixa de fora o senador Ângelo Coronel (PSD), que tem pretensão de buscar a recondução ao cargo, mas tende a não provocar mudanças na aliança entre os dois partidos. O presidente estadual do PSD, senador Otto Alencar, disse, por meio de sua assessoria, que “sempre apoiou Lula na Bahia e que não teria porque desfazer essa aliança e apoiar outro candidato, mesmo sendo um nome do próprio partido”. No Piauí, outro estado governado pelo PT há mais de uma década, o palanque para Lula deverá ser formado em uma chapa com espaço para o projeto de reeleição do governador Rafael Fonteles (PT) e para a candidatura ao Senado do deputado federal Júlio César (PSD), aliado do ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT). Em Pernambuco, a governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição pelo PSD, disputa o apoio do PT com o prefeito de Recife, João Campos (PSB). Incerteza no Ceará Uma composição diferente, contudo, deverá ser feita no Ceará, onde a sigla está na base do governador Elmano de Freitas (PT) e tem o presidente do diretório local, o ex-deputado estadual Domingos Filho, como secretário do Desenvolvimento Econômico. Em nota, a direção estadual afirmou que “deverá se manter junto a Elmano, mas, no plano nacional, acompanhará a orientação do presidente Gilberto Kassab, o que significa apoiar a candidatura do Ratinho.