Uma juíza federal de Minnesota determinou nesta sexta-feira que o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) interrompa as táticas agressivas adotadas durante as operações no estado. O texto proíbe a prisão ou detenção de ativistas pacíficos e de motoristas, além do uso de spray de pimenta contra manifestações protegidas pela liberdade de expressão. A liminar foi assinada pela juíza Kate M. Menendez e também estabelece que os agentes não devem retaliar pessoas "participando de atividades de protesto pacíficas e sem obstrução", nem utilizear spray de pimenta ou outras "ferramentas de dispersão de multidões" contra manifestações pacíficas. Moradores de Minnesota têm entrado em confronto com agentes do ICE desde o final do mês passado, quando o governo federal iniciou uma campanha de fiscalização migratória chamada Operação Metro Surge. A ordem assinada por Menendez se aplica apenas aos agentes federais em Minnesota que participam dessa operação. Advogados do governo de Donald Trump argumentaram contra a liminar no tribunal, afirmando que ela "colocaria este tribunal na posição de microgerenciar a conduta dos agentes do Departamento de Segurança Interna em todo o estado de Minnesota". Autoridades federais disseram que o aumento do número de agentes no estado, que é governado por democratas, é necessário para combater a imigração ilegal e erradicar fraudes em programas de assistência social. A decisão de Menendez é em resposta a um processo movido pela União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU) de Minnesota e por escritórios de advocacia em nome dos ativistas, os autores alegaram que agentes federais violaram os direitos constitucionais dos manifestantes ao usar força excessiva, incluindo gás lacrimogêneo e balas de borracha. Eles afirmaram que os agentes intimidaram, assediaram ou prenderam manifestantes que, de outra forma, não haviam interferido nas ações dos agentes. A ação foi protocolada antes de um agente de imigração atirar e matar Renee Good em Minneapolis, no último dia 7. Good, de 37 anos, havia bloqueado parcialmente uma via onde os agentes trabalhavam e não obedeceu às ordens para sair de seu SUV. Quando ela começou a dirigir, um agente próximo à frente do veículo abriu fogo. Montagem com Renee Nicole Good ao lado do momento em que os disparos ocorreram Divulgação/GoFundMe / Captura de tela/Redes sociais O caso teve repercussão global e desencadeou uma onda de protestos em várias capitais dos EUA. Desde então, a tensão entre agentes de imigração e a população de Minnesota tem escalado. Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump e membros da sua administração têm criticado publicamente a resposta das autoridades estaduais e locais aos protestos na cidade de Minneapolis e em outros pontos do estado. Segundo a imprensa americana, o Departamento de Justiça começou a investigar o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, sobre uma possível obstrução da aplicação da lei federal. A investigação, que representa uma escalada no confronto entre Trump e os líderes democratas da região, é fruto de declarações de Walz e Frey sobre os milhares de agentes do ICE e da patrulha de fronteira dos EUA que atuam na região desde as últimas semanas, afirmou um funcionário americano à CBS. Quase 3.000 agentes federais de imigração foram enviados para Minneapolis, segundo o órgão, com o objetivo de prender pessoas suspeitas de estarem nos EUA ilegalmente e investigar alegações de fraude no estado. O Departamento de Segurança Interna chamou a implantação massiva de a maior operação de sua história. A presença em larga escala de agentes federais na região desencadeou uma reação local generalizada, provocando protestos e confrontos, que escalaram após o assassinato de Good.