Enquanto a estética futurista fazia a cabeça de artistas, designers e da cultura em geral nos anos 90, a onda de nostalgia e o resgate do passado no imaginário contemporâneo estão em alta nos anos 2020 — especialmente para a geração Z. Entre máquinas fotográficas, toca-discos e jogos de tabuleiro, a música do século anterior também se tornou objeto de desejo, e o próximo hit do carnaval pode ser uma canção de 1979. 'BBB' das lipos? Procedimentos estéticos chamam atenção entre participantes da nova edição Cores intensas: Color blocking substitui o quiet luxury e vira aposta das grandes marcas para 2026 Quase 40 anos depois, "Freak Le Boom Boom", de Gretchen, ressurgiu nas redes sociais e nas plataformas de streaming após a viralização de um vídeo antigo da cantora no "Programa do Gugu". Em menos de uma semana, a faixa registrou crescimento de cerca de 10% no Spotify, saltando de aproximadamente 900 mil para 990 mil streams. Mais do que o volume absoluto, chama atenção a velocidade da retomada — um desempenho incomum para canções lançadas há tanto tempo. A onda de nostalgia também estimulou o resgate de outros registros históricos da artista, que voltaram a circular em trechos de programas como "Planeta Xuxa" e "Domingo Legal". O movimento espontâneo do público colocou faixas como "Tcha Tcha Tcha Boom Boom", “Piriripipi” e “Conga, Conga, Conga” na lista de sons mais utilizados em vídeos curtos. A resposta do público levou a cantora a começar o ano em um novo projeto: o relançamento do seu primeiro álbum “My Name is Gretchen”, de 1979, com remixes de sonoridade mais atual e covers de suas canções favoritas, como “Voando pro Pará”, de Joelma. "Não mudei nada", diz Gretchen Pablo Roniere A faixa principal, “Freak Le Boom Boom”, ganhará um videoclipe, gravado em São Paulo, e novas versões. Além da remasterização da versão original, produzida por Mr. Sam, uma versão carnavalesca chegará nas plataformas nos próximos dias. A faixa será produzida pelo filho da Rainha do Rebolado, o artista Gabriel Miranda, e terá uma sonoridade definida por Gretchen como um ritmo de “galope com frevo”. Ao GLOBO, a artista contou detalhes sobre as “antigas” novidades da sua carreira. “Freak Le Boom Boom foi hit” há 45 anos e continua sendo sucesso. O que a Gretchen tem que consegue fazer essa mágica de se comunicar com geração atual da mesma forma que conseguia anos atrás? Autenticidade, espontaneidade, falar a língua deles. Eu tenho filhos de várias idades e gosto de estar atualizada no mundo deles, porque senão como eu vou me comunicar? Me atualizo o tempo todo. Tem coisas que ainda não sei, e o pessoal do "X" dá risada, mas um bonzinho vem e me ensina. Vou aprendendo e assim vou conseguindo também usar isso na minha vida pessoal. Não é apenas ouvi-los, é também entendê-los. Como você se sentiu quando soube que a música se tornou viral? Muito surpresa! Porque é uma música que sempre esteve lá. Praticamente era deixada de lado, porque o povo queria era a “Conga”, o “Piriripipi”, e essa era uma música meio esquecida. Então para mim foi uma surpresa porque eu não imaginava nunca que essa música ia bombar. "Uma surpresa", diz Gretchen sobre sucesso de "Freak Le Boom Boom" Pablo Roniere Como vai ser seu carnaval? No Brasil! Montei um repertório trazendo clássicos. Tem “Chorando se Foi”, “Adocica”, “Kuduro”, “Voando pro Pará”, “Chupa que é de Uva…” Escolhi músicas que o público vai sair do chão e vai cantar comigo. O primeiro dia é o bloco “Agrada Gregos”, no Ibirapuera, o maior bloco LGBTQ+ do Brasil. No dia seguinte, me apresento em Brasília. O novo projeto terá músicas inéditas? E parcerias? Não, por enquanto não. Eu tenho música inédita que lancei no ano passado, mas o público quer essas músicas antigas. É uma descoberta, e eu acho que também essa coisa de anos 80 é uma coisa muito única! Parece que tudo está voltando: as roupas, o modo de ser, as músicas… Por falar na moda dos anos 80, o que você gostava de usar naquela época e ainda usa até hoje? As calças de boca larga, essas eu gosto muito. Eu sou muito básica, sabe? Gosto muito de calça rasgada com cropped, short rasgado com cropped, tênis All Star. Eu sou muito basicona, entendeu? Mas, nos palcos, é diferente. É bem diferente. Tudo que eu usei no passado eu usaria hoje. Inclusive tem aquele vestido branco, daquela apresentação que eu fiz no Rio de Janeiro na festa Ploc, eu estou pedindo para uma amiga minha de Salvador, que é estilista, para refazer. Aquele xadrez preto e branco que usei na Xuxa, que todo mundo está pedindo para eu fazer de novo, eu também quero repaginar. “Freak Le Boom Boom” é de 79. O que mudou em você em todos esses anos? Não mudou nada. É a mesma Gretchen, só fiquei com mais idade, mas acho que nem isso pesa na minha vida. Tenho a mesma energia, na verdade, acho que eu tenho ainda mais energia agora.