Lojistas ainda limpam estabelecimentos, calculam prejuízos e adiam reabertura no Shopping Tijuca após incêndio

Duas semanas após o incêndio que matou dois funcionários e deixou três pessoas feridas, a retomada no Shopping Tijuca é desigual entre os lojistas. Enquanto parte das lojas já voltou a funcionar, outras seguem fechadas, em meio a um trabalho intenso de limpeza, avaliação de danos e reorganização dos espaços. Para muitos comerciantes, o foco neste momento ainda não é reabrir, mas entender o tamanho do prejuízo deixado pelo fogo e pela fumaça. Cheiro de fumaça, funcionários de máscara e lojas ainda fechadas: como está o Shopping Tijuca duas semanas após o incêndio Onze minutos após o primeiro alerta: Imagens mostram demora de evacuação e o combate ao incêndio no shopping Tijuca No primeiro piso, a loja de perfumes World Free é uma das que ainda não têm data definida para levantar as portas. A gerente da unidade, Alessandra Torres, afirma que a previsão é de pelo menos mais dez dias até a reabertura. — A gente ainda vai demorar uns dez dias para reabrir, porque estamos calculando o que foi perdido e fazendo manutenção. Tem estantes e outras partes da estrutura que estão sendo pintadas de novo — explicou a lojista. No primeiro piso, a loja de perfumes World Free é uma das que ainda não têm data definida para levantar as portas. Na foto, a gerente da unidade Alessandra Torres Fabiano Rocha / Agência O Globo Segundo ela, apesar de o shopping ter liberado o acesso às lojas no sábado, a decisão da equipe foi começar os trabalhos apenas na segunda-feira. — A gente está com acesso desde segunda. Na verdade, o shopping liberou no sábado, mas a gente preferiu começar na segunda para se organizar melhor, contratar equipe de limpeza e planejar tudo com calma. Quando a equipe voltou à loja após o incêndio, o cenário ainda exigia muito trabalho. — Estava bem suja. Muita poeira, que vem pelos dutos do ar. Era muita sujeira mesmo. A gente percebeu também que algumas prateleiras ficaram meio “assadas”, então além de limpar, precisa pintar. Em uma loja de perfumes, os impactos foram ainda mais delicados. Alessandra conta que parte das mercadorias foi danificada, especialmente no estoque. — Algumas caixas molharam, entrou um pouco de água, acredito que mais no estoque. Foi ali que a situação ficou mais complicada, porque pegou mais calor. Muitos produtos a gente está separando para mandar para a seguradora. A gente só conseguiu subir para o estoque ontem. Antes disso, o trabalho foi mais de limpar o chão, abrir caminho para conseguir circular e começar a separar os produtos. O dia do incêndio Alessandra estava trabalhando no shopping no dia do incêndio e relembra como foi o momento em que as lojas precisaram ser fechadas às pressas. Ela conta que a orientação para evacuar foi rápida quando o fogo voltou com mais intensidade. — Alguém foi ao banheiro e viu uma movimentação perto da escada rolante. Já tinham seguranças orientando as pessoas a se afastarem. No primeiro momento, acharam que estava controlado, mas de repente as coisas saíram do controle. O cenário se repete em outras lojas do shopping. Em estabelecimentos de joias, por exemplo, o trabalho de retomada tem sido manual e demorado. As peças expostas no mostruário ficaram extremamente empoeiradas e precisam ser limpas uma a uma antes de voltar às vitrines. Enquanto isso, nos corredores, ainda é possível ver lojas fechadas com as fachadas cobertas por painéis do próprio shopping. São espaços que seguem em manutenção, reorganização ou avaliação de danos. O Corpo de Bombeiros informou que o subsolo — onde o incêndio começou — e parte do pavimento térreo seguem interditados, por terem sido as áreas mais diretamente impactadas. A liberação total do shopping depende da recuperação completa desses espaços e da recomposição dos sistemas de segurança contra incêndio e pânico. Até lá, a retomada para os lojistas acontece em ritmos diferentes, marcada por incerteza, custos extras e muito trabalho fora do horário normal. — Agora é limpar, organizar e entender o que realmente foi perdido — resume Alessandra. Para a reabertura do shopping, o Corpo de Bombeiros realizou vistoria técnica e fiscalização da edificação como um todo, tendo como foco exclusivo a avaliação das condições de segurança contra incêndio e pânico. Initial plugin text