Maré cheia: conchas vêm bordadas e dão forma a acessórios na temporada

O mar, misterioso mar, exalta um verso do samba-enredo “Lenda das sereias”, que Vicente Mattos, Dinoel e Arlindo Velloso compuseram para o Império Serrano, em 1976. Além de misterioso, o oceano e a arquitetura da vida marinha, como as conchas, são fontes inesgotáveis de inspiração para designers ao longo das décadas. Na primavera de 2001, o estilista britânico Alexander McQueen apresentou um vestido que entrou para a História da moda por ser coberto por centenas de conchas longas e finas. Nesta temporada, elas voltaram pelas mãos de Olivier Rousteing, na coleção de verão 2026 da Balmain. Em sua ultima coleção à frente da maison depois de 14 anos, ele as definiu como o seu “primeiro material de imaginação”, descoberto ainda na infância. “Representa a busca por fluidez e leveza”, declarou. Outra adepta do material é Chemena Kamali, a rainha do boho. A estilista da Chloé, volta e meia, inclui acessórios dourados e translúcidos em formato de concha para reforçar o conceito de liberdade e a sensação de refúgio. Look Santa Resitência Agência Fotosite Mônica Sampaio, da Santa Resistência, mergulhou nessa onda para desenhar a coleção de verão, Águas de si: quando a mulher veste mar. Para ela, conchas simbolizam proteção, fertilidade e feminilidade. “É parte de um movimento que olha para o oceano e tudo o que vem dessa força da natureza. Trazer elementos marítimos em acessórios, estampas e no beachwear reforça essa conexão”, diz. A Chloé aposta nas conchas em bijus e acessórios GettyImages Já a designer turco-britânica Dilara Fındikoglu, que veste nomes como Cate Blanchett em red carpets, criou espartilho com conchas e alfinetes, dando ar transgressor às sereias do momento. Para o editor de moda Lucio Fonseca, a visão é “disruptiva”. “Traz feminilidade e força ao mesmo tempo.”