Eduardo Bittar tinha 5 anos quando o chavismo deu as caras pela primeira vez na Venezuela. O menino dormia tranquilamente naquela madrugada de 4 de fevereiro de 1992, quando integrantes do Movimento Bolivariano Revolucionário-200 invadiram diversas instalações militares e o Palácio Miraflores, em Caracas. O objetivo do grupo, comandado por um desconhecido militar chamado Hugo Chávez , era derrubar o presidente Carlos Andrés Perez e tomar o poder no país. Eduardo foi acordado às 3h com gritos de “golpe”. “Com certeza deve ser um comunista”, disse o pai dele, Victor Bittar. “Querem derrubar o presidente.” + Leia mais notícias de Política em Oeste A tentativa de golpe foi frustrada e Chávez foi preso. O líder dos revolucionários reconheceu a derrota quando praticamente implorou aos comparsas para que parassem de matar pessoas nas ruas. A euforia naquela madrugada, que deixou mais de 100 mortos e feridos, nunca saiu da memória de Eduardo. https://www.youtube.com/watch?v=bsF4PKRgH30 Embora Chávez tenha falhado no golpe, conseguiu assumir o poder democraticamente em fevereiro de 1999. A população estava cansada da corrupção e via naquele militar a solução para o país. Não demorou muito para perceber que o revolucionário, por meio de ideias socialistas e com o apoio do ditador cubano Fidel Castro, seria o responsável por levar pobreza e miséria ao país. Eduardo, então com 10 anos, passou a analisar melhor a política venezuelana. Consequências da ditadura na Venezuela Viu nos anos subsequentes famílias sendo destruídas, artistas deixando o país e a economia sendo dilacerada. Em 2007, começou a estudar engenharia mecânica na Universidade do Oriente, onde foi espancado por 20 alunos chavistas por se manifestar contra a ditadura. Seu pai sugeriu trocar de instituição, mas Eduardo decidiu defender as ideias de direita no mesmo lugar. Conseguiu unir um grupo de estudantes para fazer ativismo e atuou nas ruas de Caracas em manifestações até 2017, quando foi acusado pelo regime bolivariano de terrorismo. Precisou deixar o país naquele ano. Eduardo Bittar, ativista venezuelano, e o ex-presidente Jair Bolsonaro | Foto: Reprodução/Redes sociais Atualmente, viaja por vários lugares para dar palestras sobre as consequências da ditadura. Com o apoio de Jason Miller, assessor do presidente dos Estados Unidos , Donald Trump, se prepara para voltar à Venezuela e se candidatar à Presidência do país. A Oeste , Eduardo afirmou que a ditadura na Venezuela não foi derrotada e que a guerra contra o chavismo continua. A seguir, os principais trechos da entrevista. Como está a situação da Venezuela depois da captura de Nicolás Maduro? O chavismo ainda continua forte na Venezuela. O regime trabalha para consolidar um modelo igual ao cubano. Os integrantes da ditadura não estão dispostos a sair. Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, está no poder, e o regime deseja a situação que ocorre atualmente. Há uma ideia de que houve uma ameaça e que é necessário permanecer no poder. Se o presidente Trump não avançar nos próximos dois anos, a Venezuela vai ficar pior. A captura de Maduro não representa o fim. A guerra contra o chavismo continua. O presidente dos EUA não negocia para que os chavistas continuem e ele precisa, de fato, de um ator real que faça uma transformação no país, que garanta o retorno dos exilados. O senhor trabalha para ser a figura política que mudará os rumos da Venezuela? Faço o que posso pela liberdade de meu país. Entendo que a liberdade não vem sozinha. Tem de estar acompanhada de uma transição que traga ordem e justiça à Venezuela. Agradeço o apoio de pessoas como Jason Miller. Em meu país, deve haver uma transição provisória. Quem será o ator, acredito que minha equipe vai contribuir. Não porque os EUA o digam, mas porque somos o grupo que está mais disposto a trabalhar. Combatemos nas ruas por muitos anos. Fui qualificado como terrorista, porque fazia coisas que o regime não gostava. Coordenei diversas manifestações e vou continuar lutando pela liberdade. Por que o senhor teve de deixar a Venezuela? Chegou a um ponto que não podíamos continuar, porque todo o recurso internacional não era para nosso grupo. As doações de outros países eram para Leopoldo Lopez, Maria Corina Machado, Juan Guaidó e Henrique Capriles. Não tínhamos relações com partidos que apoiavam esses políticos. Nossos companheiros não morreram por defender um político, mas entregaram a vida por acreditarem na liberdade e porque queriam um país livre. Então tive de deixar o país e ir à Colômbia. Estive em 2017 com a equipe do ex-candidato Miguel Uribe Turbay, que foi assassinado em agosto de 2025. Depois me disseram para vir ao Brasil. Ainda em 2017, fui ao Congresso, em Brasília, para discursar. Jair Bolsonaro, então deputado, e Eduardo Bolsonaro, estavam lá e vieram conversar comigo. Naquela oportunidade, começamos a fazer agendas e passei a viajar por vários países. Fui para os EUA e fiz contatos, inclusive com Olavo de Carvalho. Passei a participar de vários eventos da Conferência de Ação Política Conservadora e comecei a ter mais visibilidade política fora da Venezuela. Quais são seus planos futuros? Vamos nos alinhar com as ideias de Trump. Estamos nos reunindo com vários empresários do Brasil e da Suíça, que estão interessados sobre os assuntos futuros de meu país. A Venezuela tem feito alianças com o mal e agora é hora de alinharmos com pessoas do bem. Temos de levar a Venezuela a uma nova independência. Preciso ter apoio para libertar nosso povo. O senhor acha que o chavismo vai continuar no poder depois da captura de Maduro? Sim, a ditadura vai tentar costurar acordos e diminuir um pouco a agressividade. Também vai liberar alguns presos políticos, mas não acho que haverá um acordo para novas eleições, porque o chavismo ainda controla o Conselho Nacional Eleitoral. Trump capturou Maduro e alguns acreditam que o chavismo terminou. Isso não é verdade. Qual é o sentimento da população venezuelana depois da captura de Maduro? A população ainda se sente órfã. Trump fez uma operação que ninguém esperava e levou Maduro. Celebrei o triunfo de um combate, mas não celebrei a guerra, que ainda não terminou. Os venezuelanos estão interessados em alinhar uma força disruptiva com Trump. O presidente norte-americano precisa de estratégias. Está esperando uma alternativa. Enquanto a possibilidade não chega, é necessário alongar a estratégia. Enquanto isso, é preciso combater os grupos terroristas e as máfias. A prioridade hoje é colocar o chavismo para correr. Precisamos restaurar a Constituição que Chávez destruiu e recompôr a Carta Magna de 1811, a primeira do país depois da independência e que foi inspirada nas leis dos EUA. O que devemos fazer é atualizá-la e adaptá-la às necessidades de nosso tempo. O importante é ajudar Trump a fazer um trabalho perfeito para que a Venezuela seja livre. Se isso não ocorrer, o chavismo vai prevalecer. Os integrantes da ditadura devem sentir medo e sair da Venezuela como ratos. Leia mais: "A ditadura sem ditador" , artigo de Carlo Cauti publicado na Edição 304 da Revista Oeste O post Venezuela: ‘A guerra contra o chavismo não terminou’ apareceu primeiro em Revista Oeste .