Logo na entrada, o visitante que chega à Rua São Clemente 134, em Botafogo, percebe mudanças concretas. A área de recepção do Museu Casa de Rui Barbosa passou por um retrofit completo, com novo layout, identidade visual própria e a instalação de armários para guarda de pertences, ampliando o conforto e a organização do espaço. A instituição voltou a receber o público no início do ano, após um conjunto amplo e cuidadoso de intervenções que a reposicionam para o futuro sem romper com sua identidade histórica. Valorização imobiliária: Ipanema dispara e encosta no Leblon; veja média de bairros do Rio Botinhos ao mar: Projeto dos Bombeiros esgota as cinco mil vagas em oito minutos Instalado na residência neoclássica onde o jurista, político, escritor e diplomata Rui Barbosa viveu seus últimos anos, o museu se aproxima de um marco relevante: o centenário de abertura ao público, em 2030, consolidando-se como o primeiro museu casa público do Brasil. A reabertura marca a primeira etapa visível de um projeto contínuo de reformulação museográfica e estrutural, que teve início em 2024 e será desenvolvido de forma gradual ao longo dos próximos anos. Alexandre Santini, presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa, afirma que muitas vezes a categoria museu casa é associada a um espaço rígido e pouco dinâmico, desestimulando a fidelização do público. — O projeto de reformulação museográfica potencializa o Museu Casa de Rui Barbosa como um equipamento cultural dinâmico, que é parte de uma instituição que faz pesquisa, ensino e difusão cultural, ampliando assim as suas narrativas e com novas formas de fruição — destaca Santini. O Museu Casa de Rui Barbosa tem nova exposição e passa a oferecer banho de mangueira no jardim para crianças aos domingos Divulgação/Museu Casa de Rui Barbosa Para a ministra da Cultura, Margareth Menezes, o investimento na instituição ultrapassa a dimensão arquitetônica. Segundo ela, a iniciativa traduz um compromisso da atual gestão com a preservação do patrimônio e com a qualificação da experiência do público. — Cuidar do Museu Casa de Rui Barbosa é cuidar da História do Brasil, é preservar a memória, e também um ato de responsabilidade com a democracia e a cidadania. Entregamos à sociedade uma instituição mais segura, modernizada e preparada para o futuro, preservando um espaço fundamental da memória do nosso país — afirma. As obras priorizaram questões estruturais consideradas urgentes para a integridade do conjunto histórico. O museu passou por uma modernização completa da parte elétrica, ganhou um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas e um novo sistema de prevenção e combate a incêndios, adequados aos padrões técnicos contemporâneos e às exigências de preservação de um imóvel tombado. Medidas que passam despercebidas pelo visitante, mas são decisivas para a proteção do acervo e das pessoas. — O principal objetivo foi garantir condições adequadas de segurança, preservação e acesso. Estamos falando de um patrimônio histórico que precisava de intervenções estruturais para seguir cumprindo sua função pública. A reforma permite proteger o acervo, qualificar a experiência do visitante e assegurar que o museu continue aberto, ativo e disponível para a sociedade — explica o presidente da fundação. A biblioteca do local tem mais de 30 mil volumes, muitos deles com anotações Divulgação/Museu Casa de Rui Barbosa Outro avanço relevante foi o encaminhamento do remanejamento das antigas adutoras que atravessavam o terreno da casa desde o fim da década de 1920. A intervenção elimina riscos ao edifício, ao jardim histórico e aos acervos, representando um passo decisivo na preservação do conjunto patrimonial. As melhorias na entrada resumem o que representa o projeto de melhorias: a entrega à sociedade de um patrimônio cultural mais seguro, acessível e preparado para cumprir plenamente sua função pública, educativa e democrática, como destaca Aparecida Rangel, chefe da instituição: — A primeira mudança está na recepção. O visitante encontra um espaço reorganizado, com novo layout, identidade visual e melhor estrutura de acolhimento e acessibilidade. Isso melhora o fluxo de visitação e cria uma experiência mais clara e confortável desde a chegada ao museu. Sala preservada com decoração e móveis da época Divulgação/Museu Casa de Rui Barbosa Uma das principais novidades desta fase é a abertura do porão da casa à visitação, espaço até então pouco conhecido do público. O local abriga agora uma mostra temporária que articula a trajetória de Rui Barbosa, de sua esposa, Maria Augusta Rui Barbosa, e da própria casa enquanto museu, revelando a residência como um espaço vivo, atravessado por diferentes tempos e funções. A exposição apresenta ainda uma escrivaninha e arquivo do antigo escritório de Rui Barbosa no Centro do Rio e um cofre utilizado já no período em que a casa funcionava como museu, evidenciando práticas de organização e gestão institucional de outras épocas. — A exposição propõe um olhar sobre a casa como lugar vivo, mostrando como a residência se transforma em patrimônio público. É também uma forma de revelar práticas de trabalho e de organização que fazem parte da história do museu — explica Santini. Ao longo de seus 95 anos, o Museu Casa de Rui Barbosa ampliou sua narrativa histórica, incorporando memórias que vão além da figura do jurista. A presença de Maria Augusta Rui Barbosa, figura central para a preservação da casa, e dos trabalhadores que fizeram parte do cotidiano da residência passou a integrar de forma mais consistente o projeto museológico. — Ao incluir Maria Augusta e os trabalhadores da casa, o museu reconhece que a memória é construída coletivamente. Isso aproxima o público de uma narrativa mais humana, social e contextualizada — afirma o presidente. Maria Augusta é tema de exposição Essa nova perspectiva, na qual o museu reconhece que a memória é construída coletivamente, se reflete também na programação cultural. Em cartaz até 8 de fevereiro, a exposição “Maria Augusta — 170 anos” revisita a trajetória da mulher que tornou possível a existência do museu. O piano é um dos itens do acervo do jurista Divulgação/Museu Casa de Rui Barbosa Atividades como o Domingo na Casa de Rui, com visitas dramatizadas e narração de histórias; e o banho de mangueira, voltado ao público infantil durante o verão, reforçam a imagem do museu como espaço de convivência e fruição cultural. — Essas ações são fundamentais para ampliar o acesso, aproximar o museu de públicos diversos e proporcionar uma experiência cultural, mas também lúdica e criativa. Elas mostram que a instituição dialoga com a cidade e com a vida cotidiana das pessoas — observa Alexandre Santini. O acervo do museu reúne cerca de 1.550 peças, entre mobiliário, objetos pessoais, piano, obras de arte e veículos históricos. A biblioteca particular de Rui Barbosa soma mais de 30 mil volumes, muitos deles com anotações manuscritas, trechos sublinhados e comentários feitos pelo próprio jurista, vestígios diretos de sua intensa atividade intelectual. Entre os objetos preservados está um pequeno lápis, bastante desgastado pelo uso. Histórias transmitidas pela tradição oral, como a do relógio da copa que teria parado no horário da morte de Rui Barbosa, também integram o imaginário afetivo da casa, mesmo sem comprovação documental. — A reformulação estabelece bases sólidas para o futuro do museu. Ela garante segurança, preservação e condições adequadas de funcionamento, ao mesmo tempo em que atualiza a forma de apresentar o acervo e dialogar com o público — detalha o presidente da fundação. Casamento: alianças, fotografias e cartas de Rui Barbosa e Maria Augusta Divulgação/Museu Casa de Rui Barbosa A reabertura busca reposicionar o museu casa como espaço ativo de reflexão histórica e diálogo com o presente. — Convidamos o público para que volte ou venha conhecer o Museu Casa de Rui Barbosa nesse novo momento. Um museu renovado, mais seguro e aberto, que preserva a memória brasileira e oferece uma experiência de encontro e reflexão sobre a História do país. Um lugar de memória que se prepara para o futuro, agora com os olhos voltados para o centenário de sua fundação, que será comemorado em 2030 — finaliza Santini. Initial plugin text