A decisão de interditar a raia destinada à atracação de botes com passageiros de embarcações com capacidade entre 25 e 80 passageiros na área das prainhas do Pontal do Atalaia, em Cabo Frio, foi tomada após a verificação de uma série de irregularidades durante fiscalização conduzida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) nos primeiros dias do ano. No corredor destinado a esta modalidade de desembarque, onde é permitida a presença simultânea de cinco botes, os fiscais encontram até 13 operando ao mesmo tempo, quase três vezes mais que o permitido. Além disso, órgão federal estima que existam 40 veículos náuticos atuando na área sem autorização, o que representa um acréscimo de mais 30% do total de 131 barcos de passeio desse porte licenciados. Praias superlotadas: ICMBio determina interdição de desembarque irregular em Arraial do Cabo Vivi para contar: 'Minha casa vira uma sauna', na favela da Babilônia, idosa dorme em rede e com roupa molhada para suportar calor extremo no Rio Segundo o chefe da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo (Resexmar-AC), Leandro Goulart, a decisão foi tomada após três fiscalizações específicas, além do monitoramento rotineiro da área. — Durante as vistorias a gente verificou que as regras estabelecidas para a segurança do visitante, estabelecidas pela Capitania dos Portos, não estavam sendo seguidas e o ICMBio tem corresponsabilidade de manter a segurança dos visitantes na unidade de conservação. Em nenhum momento a gente observou, por exemplo, alguém fazendo a contagem de visitantes o que vimos foi muito mais barco dentro da raia do que é permitido — disse Leandro Goulart. No local existem duas raias delimitadas, de cinquenta metros largura cada uma, destinadas ao desembarque de visitantes. Só a raia exclusiva para as embarcações de maior porte foi fechada até que sejam adotadas as medidas de segurança necessárias. A interdição não afeta o desembarque de embarcações menores, com até 24 passageiros, os chamados barco-táxis operados por pescadores que fazem o chamado turismo de base comunitária. O ordenamento da raia é operacionalizado pela Fundação Instituto de Pesca de Arraial do Cabo (Fipac), autarquia da prefeitura de Arraial do Cabo, e pela Associação da Reserva Extrativista Marinha do Arraial do Cabo (Aremac), enquanto o ICMBio e a Capitania dos Portos são responsáveis pela fiscalização. As falhas identificadas incluem o descumprimento da Portaria nº 60 da Capitania, que estabelece normas de segurança da navegação e proteção da vida. De acordo com Leandro Goulart, a interdição da raia permanecerá válida até que os operadores apresentem um plano de funcionamento que comprove o cumprimento das regras de segurança. Embora a proibição tenha como foco principal o cumprimento das regras de segurança para uso das raias, a superlotação da praia — e da cidade como um todo — também é uma preocupação do ICMBio. Para o chefe da reserva, a situação revela um problema estrutural do turismo na região: — Arraial sobrevive basicamente do turismo, é a maior fonte de renda, de emprego. Há uma necessidade de que as pessoas entendam que se a atividade não for ordenada ela tende a acabar. Só que não há esse entendimento. Chega no verão, há uma ganância muito grande. Todo mundo quer botar mais e mais passageiros, aí bota o valor do passeio lá embaixo para poder botar mais gente. É preciso entenderem que a o caminho é ter, talvez, menos pessoas e prestar um serviço de mais qualidade e assim acabar ganhando mais com isso. Se não tende ao colapso. Leandro Goulart observa ainda que a situação parece ter se agravado ainda mais neste verão. — Este ano há um grande fluxo de turistas, as pessoas estão buscando a Região dos Lagos. A gente já teve notícia de lotação em praia, que eu nunca tinha ouvido falar. A Praia do Forte chegou um momento que não podia mais descer ninguém, porque superlotou, não tinha mais espaço na areia. É uma coisa que está fora do comum. A gente tem que fazer o nosso dever de casa, organizar e não só no verão, tem que ser um constante o ano todo se reunindo, conversando para já prever o verão 2027. É um trabalho que tem que começar agora para que a gente tenha um verão melhor para todos no ano que vem — diz Goulart.