Artista por trás da voz do MetrôRio já foi indicada ao Grammy Latino; Saiba quem é

Todos os dias, milhares de cariocas atravessam a cidade acompanhados por uma voz calma, firme e acolhedora. Ela avisa sobre o vão entre o trem e a plataforma, dá boas-vindas às estações e, sem que muita gente saiba, carrega uma história musical que atravessa continentes — e até uma indicação ao Grammy Latino. Por trás dessa voz icônica do metrô do Rio está Zanna, cantora, compositora, produtora musical e criadora de uma das trilhas sonoras mais reconhecíveis do cotidiano carioca. Para Zanna, a música nunca foi dúvida. “Eu nasci sabendo que queria fazer música”, resume. Ainda criança, batucava pela casa; aos sete anos tocava flauta, aos dez, violão, aos 13 já compunha e, aos 16, subia aos palcos. Aos 19, mudou-se para a Itália, onde passou a viver exclusivamente de música, fazendo shows, gravando discos e dividindo palcos com nomes como Herbie Hancock e participando do Festival de Montreux com a banda Bossa Nostra. Apesar do sucesso precoce, veio a decisão de frear. Muito jovem, sozinha e sem estrutura familiar, Zanna sentiu que ainda não estava pronta para dar certos passos. “Eu percebi que estava ficando arrogante, me achando. Pensei: se eu for por aqui agora, vou me dar mal”, relembra. A escolha foi voltar ao Brasil no início dos anos 2000, gravar um disco com o produtor Carlos Trilha e, pouco depois, seguir para Nova York. Foi nos Estados Unidos que Zanna encontrou uma nova linguagem para sua relação com o som. Incomodada com músicas genéricas usadas por marcas e ambientes, começou a estudar branding e a desenvolver o conceito de sound branding — estratégia que cria identidades sonoras para marcas e espaços. A ideia, que parecia estranha no início, hoje é uma ferramenta consolidada no mercado brasileiro. De volta ao Brasil, ela fundou a agência Zanna Sound e seguiu se especializando como produtora musical e engenheira de som, criando trilhas para diferentes projetos, inclusive para a TV. Em paralelo, a carreira artística nunca saiu do radar. Em 2017, Zanna decidiu que era hora de voltar com força total à música autoral. Gravou seu primeiro álbum e conquistou três indicações ao Grammy Latino, incluindo a de Melhor Álbum de Música Brasileira. O reconhecimento reforçou um desejo que hoje guia seu trabalho: contribuir para uma música brasileira mais densa, harmônica e significativa. Seu segundo álbum, Reflexo, aprofunda essa busca. Com arranjos elaborados, letras que falam de infância, cidade, cotidiano e identidade, o disco também carrega um gesto político e simbólico: uma orquestra formada por 22 mulheres. “A música brasileira precisa se reencontrar com essa qualidade que sempre teve”, defende. Foi também a partir do sound branding que nasceu a trilha do metrô Rio — criada por Zanna para transformar a experiência sonora de quem atravessa a cidade sobre trilhos. A música instrumental, rica harmonicamente, ganhou o coração dos passageiros e extrapolou o sistema de transporte, aparecendo em vídeos, redes sociais e até em danças espontâneas nas estações. Mais do que a melodia, a voz chamou atenção. Presente, humana, direta. “Quando eu coloco o microfone na minha frente, eu me coloco em coerência. O que eu penso e sinto sai na minha voz”, explica. Sem impostação ou personagem, o segredo está justamente na verdade. “Aquela pessoa que você escuta no metrô sou eu.” No Instagram, ela faz questão de conversar, responder e acompanhar a repercussão. “Quando as pessoas chegam no meu perfil e veem que não é só uma voz, mas uma artista inteira, a relação se expande.”