'Mixturada' foliã de Carlinhos Brown é reciclada com batidas do DJ Deeplick no linear álbum 'EletroCarnaBrown'

Capa do álbum 'EletroCarnaBrown’, de Carlinhos Brown Arte de Deeplick ♫ CRÍTICA DE ÁLBUM Título: EletroCarnaBrown Artista: Carlinhos Brown Cotação: ★ ★ ★ ♬ Há 22 anos, Daniela Mercury reuniu DJs e produtores musicais associados ao universo da música de pista em álbum, “Carnaval eletrônico” (2004), que arrastou multidões atrás dos trios elétricos com o hit “Maimbê Dandá”, gravado pela artista com Carlinhos Brown, parceiro de Mateus Aleluia nesse tema explosivo. O álbum “Carnaval eletrônico” alongou movimento pioneiro feito por Daniela no Carnaval de 2000, ano em que a cantora desfilou com trio eletrônico pelas ruas e avenidas de Salvador (BA). Nem todo mundo foi atrás do trio eletrônico, mas a artista baiana seguiu em frente, firme. “EletroCarnaBrown” – álbum lançado ontem, 16 de janeiro, por Carlinhos Brown – vai atrás do trio eletrônico posto na rua há 26 anos por Daniela Mercury. “EletroCarnaBrown” amplia a parceria do cantor, compositor e ritmista baiano com o DJ e produtor musical paulista Fernando Leite, conhecido nas pistas e estúdios como Deeplick. A bem da verdade, nada é novidade. Brown já explorou essa vertente eletrônica da folia em vários discos, caso do recente “EletroTribalistas” (2022), álbum também feito com o mesmo Deeplick. Em “EletroCarnaBrown”, o tribalista recicla hits autorais como “Magalenha” (1992) com mix de tambores (percutidos pelo próprio Brown) e batidas criadas por Deeplick com bateria eletrônica e sintetizadores. Em “Muito obrigado, axé” (2009), uma das grandes músicas de Brown, a cadência do ijexá é preservada na mistura de baticum e beats. Faixa apresentada em dezembro, em feat de Brown com Simone, “Primeiro amor primeiro” (2025) ressurge remixada e menos épica em “EletroCarnaBrown” com a adição dos beats de Deeplick, cuja intervenção dilui a força do exuberante arranjo polifônico da gravação do single (as cordas orquestradas por Jaques Morelenbaum perdem um pouco do brilho no remix). A outra novidade da safra de Brown para o Carnaval de 2026 é “Buena vibración”, música cantada em espanhol, com forte latinidade, em gravação que ecoa os tempos em que Brown tentou a sorte no mercado latino de música hispânica, na primeira metade dos anos 2000, se apresentando como Carlito Marrón. Nem tudo funciona bem na pista do álbum “EletroCarnaBrown”, cuja capa expõe arte vivaz criada pelo próprio Deeplick. A melódica canção de amor “Tantinho” (2010) pede mais um lounge do que um fervo folião. Já “Maria Caipirinha” (2003), música assentada sobre o samba da Bahia desde a gravação original, já pede rua, calor, se ajustando naturalmente à temperatura linear do álbum “EletroCarnaBrown”. Contudo, é inegável que, calcada na força hipnótica dos tambores, sobressalentes no remix de “Lá vai ela” (2012), a mixturada brasileira de Carlinhos Brown às vezes cai bem na pista.