Assinatura do tratado do acordo entre Mercosul e União Europeia Reprodução/TV Globo Um avião da FAB pousou em Assunção ainda de manhã trazendo o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Os três seguiram para a sede do Banco Central do Paraguai, onde ocorreu a cerimônia. O presidente Lula foi o único chefe de Estado ausente na cerimônia. Ontem, o Itamaraty já tinha informado que o documento seria assinado apenas pelos ministros das Relações Exteriores e que, convidado de última hora, Lula preferiu ficar no Brasil. Hoje, o presidente do Paraguai, Santiago Peña fez o primeiro discurso. Ele classificou a assinatura do acordo como um fato histórico e uma demonstração de que o diálogo, a cooperação e a fraternidade formam o único caminho possível. Os representantes europeus destacaram a longa negociação de 26 anos. Ursula von der Leyen afirmou que o acordo envia uma mensagem muito forte ao mundo da escolha pelo comércio justo em vez de tarifas. O presidente do Conselho Europeu, Antônio Costa, avaliou que o acordo chega no momento mais oportuno. Sem citar os Estados Unidos, ele afirmou que o texto é uma aposta na abertura, no intercâmbio e na cooperação em oposição ao isolamento, ao unilateralismo e ao uso do comércio como arma geopolítica. O chanceler brasileiro Mauro Vieira também destacou que a parceria entre Mercosul e União Europeia valoriza o multilateralismo. "Acreditamos na cooperação, no diálogo, em soluções construídas de forma coletiva. O comércio é uma das dimensões da parceria entre Mercosul e UE, lastreada em valores comuns. Democracia, Estado de Direito, respeito aos direitos humanos e proteção do meio ambiente estão plenamente refletidos no acordo que assinamos hoje", afirmou Vieira. Depois dos pronunciamentos, o comissário de Comércio da União Europeia e os ministros das Relações Exteriores dos países do Mercosul assinaram o documento. Ao fim, todos posaram de mãos dadas para a foto oficial. A assinatura do acordo Mercosul-União Europeia aqui no Paraguai neste sábado é um momento histórico, mas ainda não é o último passo para a implementação das novas regras. Agora, é necessário que o novo acordo seja confirmado pelo Parlamento Europeu e pelo Congresso brasileiro para que a redução ou isenção das tarifas comece a valer. No caso do Mercosul, as isenções passam a valer para cada país de forma individual, a medida que os parlamentos forem aprovando o tratado. Ao fim do encontro, o presidente paraguaio deu uma entrevista coletiva. Peña lamentou a ausência do presidente brasileiro, mas afirmou que a dedicação de Lula foi fundamental para a assinatura do acordo. O tratado prevê a maior área de livre comércio do mundo com 718 milhões de pessoas e um fluxo comercial de 22 trilhões de dólares.