A ótima estreia da nova temporada de 'Teerã' com Hugh Laurie no elenco

A terceira temporada de “Teerã” estreou na AppleTV com um capítulo promissor. A série israelense ganhou um Emmy em 2021 e teve Glenn Close no elenco em 2022. Agora, conta com Hugh Laurie no papel de um inspetor nuclear sul-africano. Serão oito episódios e os inéditos chegam à plataforma toda sexta-feira. Como só acontece nas melhores histórias, em “Teerã”, mesmo as sequências de ação mais ousadas parecem verossímeis, eletrizam e fazem imaginar que toda aquela ficção seja baseada em alguma aventura real. Recomendo. Hugh Laurie/Teerã Appletv Clica aqui e vem me seguir no Instagram “Teerã” é filmada na Grécia e o seu público fiel sabe disso. A trama é ambientada nos “dias atuais”. As aspas aqui são inevitáveis. É que há uma dissonância entre o Irã da época das gravações e o país em grande convulsão que estamos vendo nos noticiários nos últimos dias. A história é retomada do ponto em que havia parado há mais de três anos (crítica aqui) O general Mohammadi (Vassilis Koukalani) está morto depois de um atentado a bomba. Reencontramos a protagonista, a agente Tamar Rabinyan (Niv Sultan), sozinha e desesperada. Ela perdeu a confiança do Mossad depois de desobedecer a certas orientações (vou evitar o spoiler para poupar os leitores que ainda não assistiram à segunda temporada). Agora, precisa sobreviver e tentar virar o jogo. Tamar mora em Telavive, mas nasceu no Irã e domina o farsi. Circula por Teerã usando o vestido comprido tradicional e um hijab e ninguém desconfia que seja estrangeira. Dessa maneira, consegue se refugiar num abrigo para mulheres vítimas de violência doméstica. Finalmente, ela consegue falar com uma amiga da agência através de um joguinho do celular (cuja bateria não acaba nunca, um clássico das séries de espionagem). Assim, obtém ajuda. Em outra ponta, o comandante da Guarda Revolucionária Faraz Kamali (Shaun Toub) é convocado para investigar a morte do general. O arquivilão das temporadas passadas, no entanto, agora também guarda um segredo, o que atribui a ele uma nova camada de cizânia moral. Sua mulher, Nahid (Shila Ommi), está diretamente envolvida na morte da psicanalista Marjan Montazeri (Glenn Close). Ele a protege. Em outro núcleo, acompanhamos Eric Peterson (Laurie). Somos apresentados a ele dentro do complexo de Natanz, onde ficam instalações nucleares (elas recentemente foram bombardeadas por Israel e a trama foi gravada antes disso). O personagem está inspecionando o lugar e essa é a razão oficial de sua visita. Logo descobrimos que ele tem outras intenções veladas. A câmera, ágil, acompanha as perseguições nas ruas. Os idiomas do Oriente Médio se misturam e a taxa de adrenalina é mantida nas alturas. Aquelas viradas sensacionais que puxam o tapete do espectador surgem o tempo inteiro. “Teerã” tem um pouco de “Homeland” e é, como quase todas as aventuras de espionagem que vieram depois dela, uma herdeira de “24 horas”. A série não reinventa o gênero, mas segue eficiente em seu jogo de tensão.