A manhã de inverno na Europa derruba os termômetros para perto dos 2 °C, com sensação térmica ainda menor por causa do vento. Mesmo assim, o céu azul e o sol estimulam muitos corredores a calçar os tênis e ir para a rua. A dúvida é inevitável: é seguro praticar exercício ao ar livre com temperaturas tão baixas? Para Jean-Pierre Castiaux, médico especialista em medicina esportiva, correr no frio pode trazer benefícios. — Melhora a circulação venosa, o que é positivo, e favorece a queima de gordura, utilizada como fonte de energia. Não significa perda imediata de peso, mas ajuda a manter a forma — explica. Apesar das vantagens, os cuidados são indispensáveis. A treinadora Catherine Lallemand destaca a importância do aquecimento. — É fundamental elevar a temperatura corporal de forma gradual, mobilizar as articulações e aumentar a frequência cardíaca aos poucos. Depois da corrida, os alongamentos não devem ser esquecidos — orienta. A proteção das extremidades é prioridade. Gorro ou faixa para a cabeça e luvas ajudam a conservar o calor corporal. Mas exagerar nas camadas pode ser um erro. — O mais comum é vestir roupa demais. A pessoa transpira, desidrata e isso vira um problema. O ideal é uma primeira camada técnica e respirável e, por cima, uma peça corta-vento ou impermeável, conforme o clima — diz Lallemand. Outro detalhe importante está na respiração. Inspirar pelo nariz aquece o ar antes de chegar aos pulmões e reduz a irritação das vias respiratórias, tornando o treino mais confortável.