Em meio a escalada de tensão com os Estados Unidos, o presidente do Irã, Masud Pezeshkian, advertiu neste domingo que qualquer ataque contra o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, será considerado uma declaração de guerra. Enquanto isso, o acesso à internet foi parcialmente restabelecido no Irã, 10 dias depois de o regime impor um bloqueio nacional devido à onda de protestos, que duraram mais de duas semanas e deixaram centenas de mortos, informou a Netblocks, uma organização de cibersegurança. Entrevista: 'Se o Irã permanecer como está, é uma bomba-relógio', diz analista iraniana Escala de tensão: Khamenei afirma que Trump é 'culpado' por mortes de manifestantes no Irã “Um ataque contra o grande líder do nosso país equivale a uma guerra total contra a nação iraniana”, escreveu Pezeshkian no X, em aparente resposta ao presidente americano, Donald Trump, que, após reiteradas ameaças de ataque à Republica Islâmica, afirmou que "é hora de buscar uma nova liderança no Irã". No sábado, Khamenei, culpou Trump pelas mortes ocorridas na recente onda de protestos no país, duramente reprimida pelas forças de segurança, segundo diversas ONGs. Initial plugin text — Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana — afirmou o aiatolá perante uma multidão de apoiadores reunidos para uma festividade religiosa. — Tudo isto foi uma conspiração americana (...) o objetivo dos Estados Unidos é devorar e submeter o Irã militar, política e economicamente. Segundo o balanço mais recente da Iran Human Rights (IHR), pelo menos 3.428 manifestantes morreram. Outras estimativas elevam este número a mais de 5 mil, segundo esta ONG com sede na Noruega. Ainda assim, a ONG alerta que o número real de mortos provavelmente é muito maior, mas a imprensa não consegue confirmar de forma independente esse balanço por conta do apagão de internet. Desde a semana passada, as autoridades iranianas afirmam que têm controle das manifestações, que eclodiram no final do ano passado contra a crise econômica e se transformaram em um grande movimento contra o regime teocrático no poder desde a Revolução Islâmica, em 1979. Neste domingo, Teerã determinou a reabertura das escolas e das universidades. Guga Chacra: Regime do Irã enfraquecido, mas não em colapso No último dia 8, o Irã cortou, sem aviso prévio, todas as comunicações, em resposta à onda de manifestações. Jornalistas da AFP em Teerã conseguiram se conectar à internet neste domingo, embora a maioria dos provedores de acesso sigam bloqueados. “Os dados de tráfego indicam um retorno significativo a alguns serviços on-line, como o Google, o que sugere que foi habilitado um acesso com alto nível de filtragem”, afirmou a Netblocks nas redes sociais. As ligações telefônicas para o exterior, por exemplo, foram restabelecidas na última terça-feira e as mensagens de texto, no sábado. Em condições normais, os aplicativos estrangeiros mais usados no Irã são Instagram, WhatsApp e Telegram, apesar das restrições que obrigam o uso de uma rede virtual privada (VPN). Nos últimos dias, grandes marchas em solidariedade aos protestos no Irã foram realizadas em várias cidades do mundo, incluindo manifestações em Berlim, Londres e Paris neste domingo. Na última terça-feira, após dias de constantes ameaças, Trump afirmou que todas as reuniões com autoridades iranianas foram canceladas até que a repressão pare e acrescentou: "A ajuda está a caminho". Em Teerã, o ministro das Relações Exteriores, Abás Araqchi, também havia afirmado na última segunda-feira que o Irã está "preparado para uma guerra". Já no último domingo, o presidente do Parlamento iraniano afirmou que, caso os EUA lancem um novo ataque, Teerã retaliaria mirando alvos militares e navais americanos, além de instalações israelenses. — Em caso de um ataque militar dos Estados Unidos, a ocupação [referindo-se a Israel] e as bases militares americanas e navios serão ambos nossos alvos legítimos — declarou Mohammad Bagher Ghalibaf ao Legislativo iraniano, em comentários transmitidos pela televisão estatal.