“Minha vida é fazer bolo para sobreviver”, resume a chef Marta Jubé na mesa de seu simpático café Da Casa da Táta — endereço na Gávea que povoa a memória afetiva de muito carioca. De tijolinhos vermelhos, o lugar recheado de comida com gosto “minha vó que fez” completou 25 anos. À frente, Marta e o marido, Alvaro Albuquerque. Ele foi músico, baterista da banda Hojerizah nos anos 1980; ela, atriz de cinema, teatro e novela. A história dos famosos bolos começa na infância de Táta, em Goiânia. Após perder a mãe, seu pai, motorista de táxi, distribuiu as tarefas de casa entre os cinco irmãos, e ela logo aprendeu a cozinhar. Boa parte da renda para atravessar os anos na faculdade de Arquitetura e depois, em 1985, se mudar para o Rio e cursar a CAL (Casa das Artes de Laranjeiras) vinha da venda de bolo. Certa vez, enquanto ensaiava uma peça no teatro Carlos Gomes, com Aderbal Freire Filho, ela perguntou ao dono do café de lá se poderia incluir seu doce no cardápio. Era Alvaro quem tocava o negócio. Deu certo a parceria comercial e o casal. Juntos desde 1994, expandiram e assumiram também, logo em seguida, os cafés da Sala Cecília Meireles e dos teatros João Caetano e Municipal. Na Rua Professor Manoel Ferreira, Da Casa da Táta nasceu em novembro de 2000, do desejo de ter um endereço fixo no bairro onde moram. “Pegamos móveis emprestados, foi bem duro o início. Lembro do primeiro lucro: R$ 72”, conta Marta, rindo, trocando olhar de pura cumplicidade com o marido. Aos poucos, deixaram os cafés dos teatros e, em 2006, dobraram a Casa da Táta de tamanho , juntando com a loja ao lado — hoje com capacidade para 39 pessoas. Há um premiado café da manhã, almoço com prato do dia, quitutes como pamonha e 10 sabores sempre fresquinhos de bolo, entre fubá de arroz e o campeão de vendas: laranja. “Fazemos ainda noites de música e já tivemos Xande de Pilares e Moraes Moreira, entre muitos outros. A primeira vez que Chico Chico se apresentou foi aqui”, orgulha-se Alvaro. Não faltam boas histórias. Clientes já na terceira geração, os que se casaram lá, os que levam bolo escondido congelado para os Estados Unidos, além de famosos assíduos, entre Taís Araujo e Camila Pitanga. “Frequento desde que abriu, tem um significado imenso no meu universo afetivo”, conta a chef Roberta Sudbrack: “Seus bolos e quitutes são a minha primeira lembrança quando penso em carinho”.