Conheça o hotel boutique recém-inaugurado em Saint-German onde os anônimos fogem dos blogueiros

Nada do mau humor parisiense nem dos preços exorbitantes que dominam a hotelaria na capital francesa. Recém-inaugurado em Saint-Germain-des-Prés, um dos bairros mais charmosos da Rive Gauche, o Hotel Aubépine é uma resposta silenciosa — e precisa — aos tempos de blogueiragem e luxo ostensivos. Instalado em um edifício do século XVIII na Rue de Seine, tem apenas nove acomodações (seis quartos e três suítes) e assinatura de Bertrand Plasmans, hoteleiro com mais de três décadas de atuação. É ele quem estaciona a bicicleta em frente à fachada arborizada e recebe pessoalmente os hóspedes. Em cinco minutos de conversa, conta, efusivo, como começou a carreira, em 1984, no lendário Hotel Crillon, viveu os anos dourados do setor e, em plena pandemia, abriu o Hotel Fougère, a poucas quadras do Aubépine, inaugurado em julho. “Queria algo ainda mais íntimo, um hotel particular, com cara de casa, onde o hóspede se sentisse assistido o tempo todo, sem perder a liberdade”, explica. Hotel Aubepine Divulgação Outra boa notícia é que as diárias não oscilam na alta temporada: “Custam entre 520 e 1.050 euros, o ano todo, dependendo do quarto”, diz o gerente Tanguy Vines, em um português impecável. Inspirado em um cottage inglês, o décor combina tons suaves, tecidos naturais e móveis garimpados por Plasmans em feiras de antiguidades na Normandia. “Sempre amei esse universo vintage”, conta o proprietário. Hotel Aubepine Divulgação Não há bar nem restaurante no hotel. Mas quem não quiser caminhar até o Café de Flore, o Les Deux Magots e ou a Brasserie Lipp, ali ao lado, pode pedir um omelete ou uma sopa de legumes ao staff, dono de uma gentileza rara na hotelaria francesa. Para o fotógrafo Victor Collor, especializado em viagens e lifestyle, essa é uma das pérolas do local. “Depois de passar uma semana acampando na Argélia, dormindo em barraca, cheguei ao Aubépine e me senti em casa”, resume. “O Bertrand é carinhoso e acolhedor, e a Rue de Seine tem vida de bairro, é supercool.” Um luxo que não precisa se anunciar — apenas ser descoberto, como joias de verdade. Hotel Aubepine Divulgação