Se o fim de semana é de sol e tempo aberto, a praia vira o destino certo de moradores e turistas no Rio. Com as areias lotadas, há barraqueiros que guardam as tabelas de preços para aplicar valores abusivos e diferentes a banhistas, prática que lesa principalmente turistas. Em quatro dias, o Procon Carioca fiscalizou 372 barracas do Leme e ao Pontal e constatou que mais da metade não apresentava a lista com os valores dos produtos. Os comerciantes foram advertidos. Acidente na Zona Oeste: Piloto morto em queda de helicóptero fez participação na novela 'Mania de Você' em cena de resgate Sem freio: Veículos elétricos sobre duas rodas disputam espaço em meio à falta de regras e de fiscalização O monitoramento faz parte da Operação Preço Justo na Praia, força-tarefa iniciada na última quinta-feira com o objetivo de combater práticas abusivas em quiosques e barracas ao longo de toda a orla. A ação monitora preços excessivos, cobrança de consumação mínima, venda casada e publicidade enganosa. Essas irregularidades foram denunciadas pelo O GLOBO em reportagem publicada no último dia 10, que mostrou que deitar em uma espreguiçadeira pode custar até R$ 100 na Zona Sul e que sofás na areia, em praias do Recreio, chegam a ter diárias de até R$ 850. Notificação nas praias Na operação do Procon, das 372 barracas analisadas, 232 (62%) não apresentavam tabela de preços. Das 140 que exibiam a lista, 60 (43%) mostravam valores ilegíveis ou incompletos. Durante a fiscalização, apenas 80 barracas — o equivalente a 21,5% do total — estavam em conformidade com as normas. O secretário de Proteção e Defesa do Consumidor, João Vitor Pires, tem acompanhado as equipes em alguns pontos da cidade. Em vídeos publicados no Instagram, ele mostra a abordagem aos comerciantes e explica que a fiscalização pode ficar mais rigorosa. “A gente notifica como medida de orientação, para dar um tempo de regularização. Se a gente pegar de novo, tirando ou escondendo tabela, começamos a aplicar multa. E quem insistir nessa irregularidade pode até ter a autorização de funcionamento cassada. Não é o que a gente quer, mas precisa haver incentivo para trabalhar corretamente. Deixar a tabela exposta garante que a pessoa saiba quanto vai pagar, sem ser enganada”, afirmou em vídeo. Golpe da maquininha Apesar de fugir à responsabilidade direta da prefeitura, por se tratar de caso de polícia, o secretário disse ter recebido muitos relatos do chamado “golpe da maquininha” nas praias. Segundo ele, comerciantes mal intencionados estariam digitando valores diferentes dos combinados no momento do pagamento com cartão, causando prejuízos elevados aos clientes. Pires destacou que turistas são as principais vítimas desse tipo de crime, já que, por estarem viajando, costumam ter mais dinheiro disponível em conta. Assim, uma compra de R$ 10 pode acabar sendo cobrada como mil reais ou até R$ 10 mil. A Secretaria municipal de Ordem Pública (Seop) e a Guarda Municipal também estiveram ontem nas praias. Foram apreendidas mais 80 caixas de som, que são proibidas nas areias, e 11 toneladas de produtos irregulares, como churrasqueiras e garrafas de vidro. Os ficais ainda rebocaram mais de 50 “motinhas” elétricas que estavam estacionados irregularmente sobre o calçadão. Reportagem do GLOBO publicada ontem mostrou a falta de regulamentação para controlar a circulação desses veículos, chamados de autopropelidos.