Acordo com União Europeia favorece o agro paranaense O Paraná está entre os estados brasileiros mais beneficiados com o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, assinado na última sexta-feira (16), segundo representantes do setor do agronegócio no estado. O tratado ainda terá que ser aprovado nos congressos dos países dos dois blocos, mas a expectativa do setor é de que, assim que o acordo impulsione as exportações assim que entrar em vigor, principalmente nos segmentos de carnes, café e óleos vegetais, nos quais o Paraná tem forte participação. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp O acordo prevê a eliminação das tarifas de importação de 77% dos produtos agropecuários que a União Europeia compra do Mercosul, bloco formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. As tarifas serão reduzidas gradualmente, em prazos que podem variar de 4 a 10 anos, a depender do produto. Leia também: Mega-Sena: Três apostas simples e dois bolões do Paraná acertam quina e são premiados Tornado: Casa que filmou jovem fugindo de tornado no PR também flagrou cachorro arrastado pelo vento Mudanças climáticas: Cidades da Região Metropolitana de Curitiba atingidas por tornado não têm plano de adaptação às mudanças climáticas Consumidor não verá aumento no preço No agronegócio paranaense, mesmo produtores que não exportam diretamente podem sentir os efeitos do acordo. É o caso do produtor rural Rafael Ansolin, que cria leitões em Toledo, no oeste do estado, e integra uma cadeia produtiva voltada à exportação. “A gente cria um compromisso com a cooperativa. Eles pegam nosso animal porque precisam. Já existe uma certificação voltada para exportação e isso traz segurança”, afirma. Segundo Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o impacto do acordo será gradual e não deve refletir no aumento do preço da carne no mercado interno. “O aumento da exportação ajuda a diluir custos e contribui para manter preços mais baixos no mercado interno. Não há expectativa de alta para o consumidor por causa do acordo”, diz. Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná Claudio Neves/Portos do Paraná Segundo Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), no cenário atual os preços tendem a continuar estáveis. "Pode levar 10 anos para reduzirmos as tarifas da carne a zero. Atualmente, temos um cenário de estabilidade. Como existem várias questões a serem definidas do acordo, não é algo que acontece a curto prazo e o mercado interno é muito resiliente quando se fala em preço", explica Sartorelli. Impacto para produtores paranaenses Para quem está no campo, a expectativa é de crescimento ao longo dos próximos anos. “Se houver demanda, a gente vai produzir”, afirma Rafael. O presidente da ABPA destaca que, apesar das exigências maiores, o acordo pode trazer melhor remuneração para toda a cadeia produtiva. “Vai haver mais exigências na granja, mas também melhor remuneração. Isso gera mais renda para produtores, trabalhadores e serviços ligados ao setor”, conclui. A entrada no mercado europeu, no entanto, exige controle rigoroso. A União Europeia cobra informações sobre origem, método de produção e cumprimento de regras ambientais. Segundo representantes do setor, o Paraná tem vantagem sobre outros estados brasileiros, porque cumpre grande parte dessas exigências. “O Paraná já sai na frente porque muitos produtores atendem às exigências que a União Europeia costuma cobrar, especialmente na área sanitária e de rastreabilidade. O estado tem um sistema de controle consolidado e produtores capacitados”, diz Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). Em 2025, somente em produtos agropecuários, o Paraná exportou 4,2 milhões de toneladas para a União Europeia, o que rendeu mais de US$ 2 bilhões, conforme dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Entre os principais produtos da relação comercial do Paraná com a União Europeia estão o complexo soja, milho, carnes, café, além de itens de maior valor agregado, como sucos, processados e alimentos industrializados. A expectativa do setor é ampliar essa quantidade nos próximos anos. “O Paraná concentra cerca de 40% da produção nacional e responde por 42% das exportações brasileiras. Com o acordo, deve manter essa fatia e ampliar volumes e valor agregado”, afirma Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Exportação de carne bovina quase dobra no Paraná em 2024. RPC VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.