Às vésperas do Copom, Haddad diz que problema da dívida pública está nos juros, não no déficit

Às vésperas da primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta segunda-feira que o principal fator de pressão sobre a dívida pública é o patamar elevado dos juros reais, e não o resultado fiscal do governo. A taxa de juros está em 15% ao ano e deve ser mantida neste patamar, na semana que vem. Segundo ele, mesmo considerando todas as exceções fiscais, o déficit do ano passado ficou em 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB). — Quanto foi o déficit do ano passado considerando todas as exceções? 0,48% do PIB considerando tudo. Plano Brasil Soberano (resposta ao tarifaço de Trump), a questão do INSS (ressarcimento dos descontos indevidos), considerando tudo — disse Haddad ao UOL. — O problema da dívida tem a ver com o juro real, não tem a ver com o déficit, que está caindo — completou. O ministro destacou que o resultado fiscal vem apresentando melhora ao longo dos últimos anos, apesar das pressões sobre o endividamento. Segundo ele, o comportamento da dívida está mais associado ao custo dos juros do que ao desempenho do resultado primário. Na semana passada, Haddad havia informado que os cálculos preliminares da equipe econômica indicavam um déficit primário de cerca de 0,1% do PIB em 2025 — levando em conta apenas as despesas incluídas na contabilidade fiscal regular —, resultado que permanece dentro da margem de tolerância da meta fiscal, que prevê déficit zero, com intervalo de até 0,25% do PIB. — Se nós considerarmos aquilo que o Congresso excepcionalizou, ou a Justiça, no caso da indenização do INSS, nós estamos falando de alguma coisa em torno de 0,17% de déficit, e já considerados precatórios, ou seja, o pagamento do calote que o Bolsonaro deu, nós vamos fechar o ano em 0,48% de débito — disse o ministro na semana passada. De acordo com as regras fiscais, o resultado primário considera apenas receitas e despesas recorrentes, excluindo o pagamento de juros da dívida. Quando são incorporados gastos excepcionais autorizados pelo Congresso ou por decisões judiciais, como precatórios e indenizações a aposentados do INSS, o déficit sobe para os 0,48% do PIB citados pelo ministro. O discurso do ministro ganha peso às vésperas da reunião do Copom, marcada para a próxima terça e quarta-feira, quando a expectativa majoritária é de manutenção da taxa básica de juros.