Após vice, Marrocos entra em colapso a menos de cinco meses de enfrentar o Brasil na Copa do Mundo

O que deveria ser a consagração de uma geração, acabou se tornando motivo de preocupação. A derrota na final da Copa Africana de Nações, em uma partida marcada por decisões controversas da arbitragem e um pênalti desperdiçado nos acréscimos, fez com que Marrocos entrasse em colapso justamente às vésperas do maior desafio do ciclo. A derrota, além de arrancar o título da competição das mãos depois de 50 anos, lança dúvidas sobre o impacto emocional da equipe a menos de cinco meses da estreia na Copa do Mundo, contra a seleção brasileira, em 13 de junho, na abertura do Grupo C, em Nova Jersey. O cenário de caos, inclusive, alcançou o comando técnico de Marrocos, tão elogiado nos últimos anos. Walid Regragui, símbolo da campanha histórica na Copa do Mundo do Catar, onde o país terminou na quarta colocação, foi confrontado na entrevista coletiva depois do vice-campeonato. Um jornalista local perguntou se o treinador entregaria o cargo na manhã seguinte. A questão foi ignorada por Regragui, mas expôs o grau de irritação por parte dos marroquinos com a derrota. — Estamos profundamente desapontados por todos os torcedores marroquinos. Quando você tem um pênalti no último minuto, a vitória parece muito próxima. É doloroso. Parabéns ao Senegal. Seguiremos trabalhando. Marrocos vai voltar mais forte — afirmou o técnico. Walid Regragui, técnico da seleção de Marrocos FRANCK FIFE / AFP Além das incertezas com o comando técnico, a seleção marroquina também deixou a final da Copa Africana de Nações com problemas no elenco. O atacante Hamza Igamane, um dos principais nomes do país na competição, sofreu uma grave lesão no joelho e corre riscos de não se recuperar para o Mundial, que será disputado em junho, nos Estados Unidos, México e Canadá. Brahim Díaz, por sua vez, parecia que sairia com moral da competição, mas não foi o que aconteceu. Artilheiro da Copa Africana de Nações e decisivo nas fases anteriores, o camisa 10 de Marrocos ficará marcado pelo pênalti mal cobrado nos acréscimos do segundo tempo, que poderia ter garantido o título. Ele se tornou o símbolo do colapso marroquino. Brahim Díaz, meia de Marrocos, triste com o vice da Copa Africana de Nações SEBASTIEN BOZON / AFP Brahim levou uma reprimenda pública de Regragui ao fim do tempo normal, foi substituído no início da prorrogação e recebeu o prêmio de artilheiro em lágrimas, diante de um palco para a festa da seleção de Senegal. Agora, Marrocos terá que juntar os cacos para a disputa da Copa do Mundo. E terá pouco tempo para isso. Punições para Senegal Do lado vencedor, Senegal também tem algumas dúvidas para a Copa do Mundo. Isso porque alguns jogadores e membros da comissão técnica que deixaram o campo após marcação de pênalti controverso a favor de Marrocos podem ser punidos. Segundo o jornal AS, da Espanha, o protesto resultará em suspensão para os envolvidos. De acordo com o regulamento da Copa Africana de Nações, Senegal será punida com uma multa de 50 mil euros (cerca de R$ 312,3 mil, na cotação atual) a 100 mil euros (R$ 624,6 mil). Gianni Infantino condenou as cenas inaceitáveis ocorridas durante a final da Copa Africana de Nações. O presidente da Fifa solicitou aos “órgãos disciplinares competentes da CAF (Confederação Africana de Futebol) que tomem as medidas apropriadas”. Em nota oficial, a Confederação Africana de Futebol condenou o comportamento de alguns jogadores e dirigentes durante a final da competição. A entidade afirmou que está analisando todas as imagens e encaminhará o caso aos órgãos competentes para que as medidas cabíveis sejam tomadas contra os culpados.