Crimes de homofobia: discriminação por causa de identidade de gênero ou orientação sexual O Piauí registrou taxas de violência contra a população LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) superiores à média nacional em 2025. Os dados constam no relatório anual do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga organização não governamental da área na América Latina, divulgado no domingo (18). Entre os registros de maior brutalidade no estado, o documento destaca o assassinato de Raimundo Nonato Pereira da Silva, de 69 anos, ocorrido em março, na Zona Sul de Teresina. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Segundo relatório, o Nordeste permanece como a região mais letal para essa população no Brasil, concentrando 25,7% dos casos. Ao lado de Alagoas e Bahia, o Piauí aparece com índices preocupantes de mortalidade. "O fato é que o Piauí dispara nas estatísticas, porque não existe uma política mesmo, uma ação concreta", declarou Marinalva Santana, ativista do Grupo Matizes, que luta pelos direitos da população LGBT no Piauí há mais de 20 anos. A ativista afirmou que essa situação se estende a todos os grupos vulneráveis, não apenas à população LGBT, e destacou que a falta de políticas públicas para essa parcela da população potencializa a violência. "Não existe política w se o estado está ausente a violência toma conta. A violência é atrevida, a LGBTfobia, a violência motivada pela LGBTfobia, ela se alimenta da impunidade, da ausência de políticas, da omissão do estado", declarou. Procurada pelo g1, a Secretaria de Segurança Pública do Piauí não se manifestou até a publicação desta reportagem. Em todo o país, foram documentadas 257 mortes violentas em 2025, o que representa uma vítima a cada 34 horas. O crime em Teresina O caso de Raimundo Nonato é citado como exemplo de violência extrema. O idoso foi morto dentro de sua casa, no bairro Promorar, com golpes de picareta. O corpo foi encontrado por vizinhos com o rosto totalmente desfigurado. O suspeito do crime é Gilmar Carvalho Rocha, de 27 anos. Ele foi preso e indiciado por homicídio qualificado pelo Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP). Segundo a investigação, o crime aconteceu após uma discussão motivada por ciúmes e uso de drogas. Investigação contesta versão de defesa A defesa de Gilmar alegou que ele agiu em "legítima defesa" após uma suposta tentativa de estupro. No entanto, a Polícia Civil do Piauí descartou essa versão após analisar o celular da vítima. Dados do aparelho mostraram que, menos de uma hora antes do assassinato, Raimundo e Gilmar tiraram selfies sorrindo em um bar. "Isso desfaz a versão de que ele estava dormindo", afirmou o delegado Danúbio Dias. Além disso, o suspeito gravou vídeos embriagado ao lado do corpo antes de fugir. Invisibilidade e crueldade Para os pesquisadores do GGB, o uso de uma picareta — um instrumento de trabalho pesado — indica uma execução intencional e cruel, e não um conflito casual. O relatório critica a falta de políticas públicas específicas para idosos LGBT+, que enfrentam muitas vezes solidão e vulnerabilidade social. O levantamento do GGB é realizado há 45 anos com base em notícias e redes sociais. O grupo reforça que os números oficiais no Brasil ainda são escassos, o que torna os dados da ONG essenciais para cobrar ações do Estado contra crimes de ódio. Bandeira LGBT estendida na Ponte Estaiada, em Teresina Lorena Linhares/g VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube