Enamed: veja o ranking de cursos de Medicina em exame que mede qualidade da formação no país

Dos 351 cursos de Medicina avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), 107 (30%) tiveram desempenho considerado insatisfatório, com menos de 60% dos alunos considerados proficientes. A partir das notas dos estudantes, os cursos foram classificados em faixas que vão de 1 a 5 — 24 deles receberam o conceito Enade 1, o menor índice, e outros 83, o conceito 2. Do total, 99 integrantes dos dois grupos serão alvo de processos administrativos de supervisão e poderão sofrer sanções que vão da proibição do aumento do número de vagas à redução de cadeiras e até à suspensão do vestibular. Três em cada 10 cursos de medicina são reprovados em exame que mede qualidade da formação Quer saber se sua nota passa? Ferramenta simula o Sisu e ajuda na escolha do curso desejado Embora 107 instituições tenham obtido os mais baixos conceitos, apenas 99 poderão sofrer sanções, já que as entidades estaduais e municipais não estão sob gerência do Ministério da Educação (MEC). A maioria dos cursos com desempenho insatisfatório é formada por instituições de ensino superior municipais (87% com conceitos 1 e 2) e privadas com fins lucrativos (61%). Veja abaixo o ranking dos cursos de Medicina avaliados no Enamed: O Ministério da Saúde e o Ministério da Educação (MEC) anunciaram em abril do ano passado mudanças nos processos de avaliação de qualidade dos cursos de Medicina e do processo de seleção para residências médicas. A nova prova, o Enamed, será aplicada anualmente. A Medicina, assim como as licenciaturas, passou a ter um modelo de prova próprio e anual — e não mais a cada três anos, como acontece com o restante das graduações. Exame obrigatório Com a nova prova, o MEC confirmou que vai aplicar penalidades a cursos de medicina mal avaliados. As punições vão atingir faculdades que tirarem nota 1 ou 2 no novo exame, desempenho considerado ruim em uma escala que vai até 5 pontos. Instituições que persistirem abaixo da média por mais de uma avaliação, sem melhorar os resultados mesmo com a aplicação das medidas, poderão ter os cursos de medicina fechados. Dados do Exame Nacional de Desempenho Estudantil (Enade) de 2023 mostraram que os cursos de Medicina pioraram em relação à última avaliação, realizada em 2019: 20% não atingiram patamar considerado satisfatório, ante a proporção anterior de 13%. Especialistas já apontavam que as novas instituições não têm garantido estrutura de laboratórios adequados, professores preparados e até vagas de estágio suficientes e de qualidade — a oferta de cursos passou de 181, em 2010, para 401, em 2023, um aumento de 127% em 13 anos. Dentro do esforço para endurecer a fiscalização da graduação de medicina, o Inep começará a fazer, em 2026, visitas in loco nas faculdades que oferecem esses cursos no país. Desta vez, o Enamed teve 89.024 alunos e profissionais avaliados. Quem fez a prova poderia optar por usar a nota também no Exame Nacional de Residência (Enare), considerado o Enem da residência médica, usado para o ingresso de médicos em programas de especialização em todo o país. Com isso, o MEC buscou incentivar a adesão ao Enamed, segundo o ministro da Educação, Camilo Santana. O MEC e o Ministério da Saúde planejam enviar ao Congresso uma Medida Provisória para que as notas individuais dos alunos de medicina sejam colocadas em seus diplomas nas próximas edições do Enamed. Também planejam editar uma norma para que instituições de ensino superior municipais, que têm os piores resultados, passem a se submeter à regulação do MEC. Hoje, as autarquias municipais e as instituições de ensino estaduais não estão sujeitas à regulação federal. A situação das estaduais, no entanto, não preocupa a pasta porque 98% dos cursos estaduais tiveram desempenho satisfatório (3 a 5).