Toffoli determina bloqueio de patrimônio de Tanure em operação sobre supostas fraudes no Master

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou o bloqueio do patrimônio do empresário Nelson Tanure. A decisão é de 6 de janeiro e o bloqueio foi realizado em 14 de janeiro, quando a Polícia Federal (PF) deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas fraudes no Banco Master. Tanure foi um dos 42 alvos da operação, que incluiu o bloqueio e sequestro de bens no valor total de R$ 5,7 bilhões pertencentes aos investigados. Ao todo, também foi realizada a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades investigadas no caso. As medidas atenderam a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Na manifestação, o órgão do Ministério Público Federal (MPF) concorda com o pedido da PF, que, a partir de investigações, apontou indícios de que Tanure seria um “sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas complexas, razão pela qual o bloqueio do seu patrimônio deve ocorrer”. Na decisão, não há uma especificação, no entanto, de qual o montante dos R$ 5,7 bilhões bloqueados pertenciam a Tanure. O valor total se justifica, segundo a decisão, por representar o resultado de uma estruturação financeira irregular e simulação de operações envolvendo empresas dos sócios e fundos nos quais o Banco Master era titular. Em nota, o empresário Nelson Tanure diz que "jamais estabeleceu qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que foi e segue sendo atendido por outras instituições financeiras conhecidas no mercado". Pablo Naves Testoni, advogado do empresário, afirmou ainda que ele "jamais promoveu qualquer operação de investimento em outros veículos que pudessem converter a dívida em participação, ainda que indiretamente, no mesmo Banco Master". "Nesse sentido, e diante do fato de que nenhuma operação financeira do empresário, na qualidade de cliente do banco, poderia corroborar a equivocada premissa apresentada pelo Ministério Público Federal na ocasião do pedido deferido pelo STF, o empresário informa que apresentará todos os esclarecimentos necessários, com respaldo documental e a certeza de que o tema será revisado, com a consequente revogação da decisão", destacou a nota. Tanure tem passado por uma crise em razão da sua conexão com o Banco Master. No geral, o que se tornou público era que o banco Master financiava parte das aquisições de Tanure e, em alguns negócios, os dois atuavam como coinvestidores. Depois disso, as empresas adquiridas investiam nos CDBs do banco, como mostrou o Valor. Desde que começou a derrocada do Master, Tanure tem corrido para renegociar dívidas de suas empresas investidas. O movimento mais recente se tornou conhecido na última quarta-feira, com a venda de quase toda a sua participação na petrolífera Prio.