BRB descarta 'qualquer risco de intervenção' e reitera ter plano para recompor capital

Envolvido nas investigações sobre o Banco Master, o BRB divulgou nessa segunda-feira nota descartando “qualquer risco de intervenção” e informando que estuda iniciar processo de venda de ativos que recuperou junto ao Master para reforçar suas finanças. A instituição do governo do Distrito Federal, que também conta com acionistas privados, salientou ainda que tem suficiência patrimonial e solidez. A nota ocorre na esteira de notícias que apontariam para uma suposta urgência de aporte de capital no banco. A hipótese de medidas para reforçar seu capital é admitida pelo próprio banco, mas isso só ocorrerá após as conclusões dos trabalhos de auditoria independente e do próprio Banco Central para avaliação das carteiras que o Master substituiu após a descoberta de que as anteriormente vendidas ao banco estatal em um montante de R$ 12,2 bilhões tinham fraudes. “Caso seja necessário, (o BRB) dispõe de plano para recomposição de capital e destaca que eventuais aportes do acionista controlador não retiram recursos previstos no orçamento para políticas públicas”, diz a nota. Segundo o BRB, as apurações serão concluídas nas próximas semanas. “Qualquer número não oficial divulgado publicamente é meramente especulativo, não correspondendo à realidade e não possuindo base técnica”, completa. Engolfado pela crise do Master, o BRB trocou seu comando no ano passado. A nova administração está buscando entender mais precisamente o tamanho do problema legado pelas operações com a instituição de Daniel Vorcaro ao longo de 2024 e 2025. Além dos R$ 12,2 bilhões em carteiras supostamente fraudadas e que foram substituídas (mas ainda estão em avaliação), o banco estatal também injetou mais de R$ 5 bilhões no Master por meio de outras operações, inclusive aquisição de cotas de fundos de investimento, segundo as informações do Banco Central ao Ministério Público. Nesse processo de apoio ao banco privado, o BRB prejudicou seus limites prudenciais exigidos pelas regras do Banco Central, chegando a ficar desenquadrado pelo menos por dois meses (janeiro e fevereiro de 2025). Nesse contexto, o BC determinou a limitação de operações como aquisições de ativos financeiros, como títulos privados, cotas de fundos de investimentos e compra de carteiras de crédito. Também determinou um plano de solução a ser elaborado em prazo de seis meses, contados a partir de outubro do ano passado. Como O GLOBO mostrou, em meio à relação complicada com o Master, o BRB também fez operações de aumento de capital, inclusive com compras de papéis por um fundo administrado pela Reag, liquidada semana passada pelo Banco Central e que também está sendo investigada pela PF e MP. Apesar da situação de dificuldade, a possibilidade de um aporte de capital do governo do Distrito Federal (GDF) é um fator considerado pelas autoridades como um elemento que confere ao BRB uma maior capacidade para lidar com os problemas. Apesar disso, a questão política que acaba envolvendo um eventual aporte do governo é um risco a ser monitorado. Por conta das apurações em curso, o banco estatal não divulgou o balanço mais recente, que seria relativo ao terceiro trimestre. Por isso, não há dados públicos disponíveis sobre sua situação financeira mais recente.