Chuva não cala a fé: fiéis se ajoelham na entrada da Basílica e celebram São Sebastião em manhã de devoção no Rio

O dia amanheceu chuvoso no Rio de Janeiro nesta terça-feira, feriado municipal, mas nem o céu cinza, nem a água que caía sem trégua conseguiram esfriar a devoção. Desde cedo, fiéis de vermelho — cor que simboliza o martírio de São Sebastião — ocuparam as imediações do Santuário Basílica de São Sebastião dos Frades Capuchinhos, na Tijuca, para celebrar o padroeiro da cidade e da Arquidiocese. Muitos deles, em silêncio e recolhimento, se ajoelharam ainda na entrada da basílica, mesmo diante da chuva, em um gesto de fé que marcou a manhã. Segurança: Complexo de Gericinó terá 'cinturão de segurança' após CV monitorar prisão para planejar fuga de detentos Apoteose à beira-mar: Fan fest inédita promete levar um pouco da Marquês de Sapucaí para Copacabana A cena se repetiu ao longo das primeiras horas do dia: famílias inteiras, idosos, jovens, pessoas sozinhas, todos atravessando a chuva para manifestar gratidão, pedir proteção e renovar promessas. A Missa Solene das 10h, ponto alto da programação da manhã, foi presidida pelo Cardeal Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, e reuniu autoridades civis e religiosas, além de milhares de fiéis. Entre os presentes estavam o prefeito do Rio, Eduardo Paes, que fez a leitura de uma passagem da Bíblia no início da celebração, o presidente da Câmara Municipal, Carlos Caiado, o vice-prefeito Eduardo Cavaliere, a deputada estadual Marta Rocha e Ferreirinha. A presença das autoridades se somou à multidão anônima que lotou o interior e o entorno da basílica, formando um mosaico de devoção popular, tradição e identidade carioca. Logo na entrada do santuário, a aposentada Djanira Brito, de 72 anos, moradora da Pavuna, resumiu o sentimento que movia tantos ali. Católica desde criança, ela contou que participa da celebração sempre que pode. — É uma coisa que a gente sente. São Sebastião, pra mim, é tudo. É proteção, é livrar do mal, da doença e do mal do homem. A gente sai pensando nele pra poder chegar ao destino com segurança — disse. Djanira contou ainda que sua fé atravessa gerações e se estende à família, em especial ao marido, que enfrenta a depressão. —A gente entrega tudo a Deus— afirmou a aposentada, segurando uma rosa com delicadeza. Durante a missa, Dom Orani destacou a importância de São Sebastião como símbolo de coragem, fidelidade e resistência, virtudes que dialogam diretamente com a história e os desafios do Rio de Janeiro. O santo, soldado romano do século III, foi martirizado por permanecer fiel a Cristo durante as perseguições do imperador Diocleciano e tornou-se, ao longo dos séculos, um dos maiores símbolos da fé cristã. São Sebastião é padroeiro do Rio desde a fundação da cidade, em 1565, que recebeu oficialmente o nome de São Sebastião do Rio de Janeiro, em homenagem ao santo e ao rei Dom Sebastião, de Portugal. A devoção atravessa séculos e se renova a cada 20 de janeiro, reunindo fiéis de diferentes regiões da cidade e do estado. Antes do início da celebração, o prefeito Eduardo Paes destacou a força simbólica do santo para os cariocas. —São Sebastião é esse santo guerreiro, resiliente, que é a marca da nossa cidade. Hoje é um dia de alegria para todos nós. Estou aqui pelo 14º ano celebrando esse grande protetor do Rio — afirmou o prefeito. Diante da previsão de chuva ao longo de todo o dia, o prefeito também fez um apelo para que a população redobrasse a atenção e evitasse grandes deslocamentos, ressaltando a importância dos alertas da Defesa Civil e das sirenes em áreas de risco. A programação do dia segue intensa. Ao longo desta terça-feira, paróquias dedicadas a São Sebastião celebram missas em diferentes regiões da cidade, desde a Zona Norte até a Zona Oeste, passando pelo Centro e pela Ilha do Governador. No Santuário Basílica da Tijuca, as celebrações começaram às 5h da manhã e seguem até depois das 19h. À tarde, a partir das 16h — com concentração às 15h — acontece a tradicional Procissão Arquidiocesana. A imagem de São Sebastião sairá da Basílica, na Tijuca, em direção à Catedral Metropolitana, no Centro, percorrendo ruas como Haddock Lobo, Estácio de Sá, Frei Caneca, atravessando o Túnel Martim de Sá e seguindo pela Avenida Henrique Valadares, Praça da Cruz Vermelha, Rua da Relação e Avenida República do Chile. A expectativa é de que cerca de 200 mil pessoas participem do cortejo. Após a chegada da procissão, será apresentado o tradicional Auto de São Sebastião 2026, em frente à Catedral Metropolitana, na Avenida Chile. O espetáculo gratuito, promovido pela Arquidiocese em parceria com a Prefeitura do Rio, reúne 15 artistas e mistura fé, arte e cultura, revisitando episódios marcantes da vida e do martírio do santo, além da fundação do Rio de Janeiro e da batalha contra franceses e tamoios. Em seguida, às 18h, Dom Orani preside mais uma Santa Missa em honra ao padroeiro