O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Renan Calheiros, afirmou que pretende realizar uma rodada de visitas institucionais para tratar das investigações sobre o colapso do Banco Master, começando pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin. Os encontros devem ocorrer após a retomada ds trabalhos legislativos, no início de fevereiro. A movimentação ocorre no momento em que Fachin antecipou o retorno a Brasília, durante o recesso do Judiciário, e para discutir o caso com integrantes do STF. — Logo após a instalação da comissão, nós vamos visitar o presidente do Supremo, o presidente do Banco Central, o diretor da Polícia Federal e o presidente do Tribunal de Contas da União — afirmou Renan. — É o momento de o sistema financeiro, o Banco Central, a Polícia Federal e o TCU procederem à investigação. A iniciativa de Renan representa uma ofensiva política para acompanhar o caso, enquanto senadores articulam a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o banco Master. Nos bastidores, senadores avaliam que a comissão permanente oferece mais agilidade, menor risco de politização e maior capacidade de interlocução institucional em um cenário de forte sensibilidade entre Congresso, Judiciário e órgãos de controle. A iniciativa de Renan ocorre também em meio ao avanço das tensões em torno da condução do inquérito no STF, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que provocou desconforto entre integrantes da Corte e atritos com a Polícia Federal. A antecipação do retorno de Fachin a Brasília foi interpretada por parlamentares como um sinal de que o Supremo passou a tratar o caso como uma questão institucional, e não apenas processual. Na avaliação de senadores envolvidos nas articulações, a visita ao presidente do STF busca calibrar a atuação do Congresso, evitando acusações de interferência indevida, ao mesmo tempo em que afirma o papel fiscalizador do Legislativo. A CAE se ancora na Lei Complementar nº 105, que autoriza a comissão a requisitar informações, inclusive sigilosas, no exercício da fiscalização do sistema financeiro. Renan afirmou que ainda está finalizando um plano de trabalho e consultando os integrantes da comissão, mas deixou claro que, para ele, a investigação deve preceder qualquer debate regulatório. — Eu acho que não devemos ter pressa com a regulamentação. A regulamentação tem que ser posterior à investigação. O urgente agora é investigar — disse o senador. Nos bastidores do Senado, a aposta na CAE também reflete um ceticismo em relação à eficácia das CPIs em um ano pré-eleitoral. Parlamentares avaliam que comissões de inquérito tendem a se transformar em arenas de confronto político e disputa por protagonismo, enquanto a comissão permanente permite uma atuação mais técnica e menos exposta, com capacidade de produzir efeitos práticos antes mesmo da instalação de uma CPI ou CPMI. Além disso, a estratégia reduz a dependência de decisões do presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), que não é obrigado a fazer a leitura imediata de requerimentos de CPI, mesmo quando há número suficiente de assinaturas. A avaliação é de que a CAE permite ao Senado marcar posição institucional sem acirrar o conflito político. Parlamentares que assinaram pedidos de CPI passaram a tratar essas iniciativas como complementares. O senador Eduardo Braga (MDB-AM) afirmou que só participará de uma CPI se houver espaço para atuação efetiva, mas considera que a comissão econômica oferece melhores condições para enfrentar distorções estruturais reveladas pelo caso, como falhas na fiscalização do crédito consignado e a circulação de recursos por mecanismos financeiros opacos. Braga afirmou ver na CAE o espaço mais eficaz para enfrentar as distorções reveladas pelo caso. — Na Comissão de Assuntos Econômicos, nós vamos botar para quebrar. Explodir essa caixa-preta. Usar efetivamente todo o poder que o regimento do Senado nos dá para enfrentar esse esquema — disse o senador Segundo ele, a estratégia passa menos por confrontos retóricos e mais por fechar “as portas por onde o dinheiro passa”, com mudanças legais capazes de interromper o funcionamento dessas engrenagens. Já o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), que também deve participar da investigação da CAE, disse que vai aguardar o retorno dos trabalhos legislativos antes de se manifestar.