Israel demole edifícios da sede da agência da ONU para refugiados palestinos em Jerusalém: 'Ataque sem precedentes'

Escavadeiras israelenses iniciaram nesta terça-feira a demolição da sede da agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA) em Jerusalém Oriental, o que levou a organização a classificar o episódio como um “ataque sem precedentes”. Israel, por sua vez, acusa a UNRWA de servir de fachada para membros do Hamas e afirma que alguns de seus funcionários participaram do ataque terrorista em Israel, em 7 de outubro de 2023. Veja: Kremlin diz que Putin foi convidado para Conselho da Paz de Trump, que amplia lista de países e provoca objeção de Israel Plano americano: Trump convida Lula, Milei, Erdogan e líderes do Egito e Canadá a integrar ‘Conselho da Paz’ para Gaza Várias investigações — incluindo uma conduzida pela ex-ministra das Relações Exteriores da França, Catherine Colonna — identificaram alguns “problemas relacionados à neutralidade” na UNRWA, mas consideram que Israel não apresentou provas conclusivas. Escavadeiras israelenses demoliram edifícios da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental ILIA YEFIMOVICH / AFP “UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações naquele local e não mantinha mais pessoal da ONU nem realizava atividades ali. O recinto não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua apreensão pelas autoridades foi realizada de acordo com a legislação israelense e o direito internacional”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores de Israel, em comunicado. Initial plugin text — A demolição é uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas — afirmou Roland Friedrich, diretor da UNRWA na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental. Segundo Jonathan Fowler, porta-voz da agência, forças israelenses “invadiram” o local e expulsaram os seguranças antes da entrada das escavadeiras, que iniciaram a demolição dos prédios. — Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da [organização] — afirmou Fowler. — Isso deveria servir como um alerta. O que acontece hoje com a UNRWA pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática em qualquer lugar do mundo. O ministro da Segurança Nacional de Israel, o ultradireitista Itamar Ben-Gvir, fez uma breve visita ao local. Em comunicado, o ministro afirmou que "este é um dia histórico" e que os "apoiadores do terrorismo estão sendo removidos daqui". UNRWA em Israel e Gaza O complexo em Jerusalém Oriental — parte da cidade de maioria árabe anexada por Israel — estava sem funcionários da UNRWA desde janeiro de 2025, quando entrou em vigor uma lei que proibiu suas operações após meses de embate sobre o trabalho da agência na Faixa de Gaza. A proibição se aplica a Jerusalém Oriental, mas a UNRWA ainda opera na Cisjordânia ocupada e em Gaza. Entenda: Conselho de paz de Gaza prevê mandato de três anos e cargos vitalícios por US$ 1 bilhão No início de dezembro, o chefe da UNRWA, Philippe Lazzarini, denunciou a apreensão de bens do complexo pelas autoridades israelenses. Na ocasião, a polícia afirmou que a ação fazia parte de uma operação de cobrança de dívidas. Em uma publicação no X, Lazzarini disse que as autoridades confiscaram “móveis, equipamentos de informática e outras propriedades”, e que a bandeira da ONU foi substituída por uma israelense. À época, o secretário-geral da ONU, António Guterres, condenou a “entrada não autorizada” em “instalações das Nações Unidas”.