O Banco Central do Brasil (BC) colocou em sigilo e omitiu o teor de duas reuniões entre o ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal (STF), e o presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo , para tratar da aplicação da Lei Magnitsky . Segundo o portal O Antagonista , a informação consta em resposta a um pedido da Lei de Acesso à Informação (LAI) feito pelo deputado Luiz Philippe de Orléans e Bragança. Para o BC, o conteúdo das reuniões envolve “riscos à salvaguarda e à segurança da sociedade e do Estado” e, por isso, não pode ser divulgado. O órgão afirma ainda que não mantém registros das discussões ocorridas nesses encontros. Resposta do BC sobre conteúdo da reunião entre Moraes e Galípolo | Foto: Reprodução/O Antagonista Encontros fora da agenda entre Moraes e Galípolo O presidente do BC, Gabriel Galípolo, durante coletiva para comentar o Relatório de Política Monetária do 2ª trimestre, em Brasília, DF (26/6/2025) | Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil No fim de 2025, a colunista Malu Gaspar, de O Globo , revelou que Moraes procurou Galípolo para interceder pelo Banco Master antes da liquidação da instituição. As conversas ocorreram no fim de julho. À época, a mulher de Moraes mantinha contrato que poderia render até R$ 129 milhões. Houve ao menos cinco contatos, incluindo reunião presencial. Nenhum deles constou nas agendas oficiais. + Leia mais notícias de Política em Oeste Depois das revelações, Moraes confirmou dois encontros com Galípolo — em 14 de agosto e 30 de setembro — alegando que o tema foi a aplicação da Lei Magnitsky. As reuniões também não aparecem na agenda oficial do ministro. Documentos obtidos via LAI mostram, porém, que em setembro o BC ainda não possuía “documentos ou orientações” sobre a aplicação da Magnitsky. Crítica à resposta do Bacen Na resposta ao deputado, o Banco Central não informou grau de sigilo, autoridade responsável nem prazo de restrição das informações. Para Luiz Philippe, a resposta é contraditória: ou há informações sigilosas sem a classificação exigida por lei, ou não há registros — o que conflita com declarações públicas do próprio presidente do Bacen sobre a documentação de todas as reuniões. Segundo o parlamentar, o caso exige esclarecimentos compatíveis com os deveres de transparência e controle público. "Se as informações existem e estão sob sigilo, a resposta do Banco Central é incompleta, pois não indica o grau de classificação, a autoridade responsável, o prazo de restrição nem a fundamentação legal exigida pela LAI", afirmou o deputado. "Por outro lado, se tais registros não existem, há uma contradição com declaração pública do próprio presidente do Banco Central de que todas as reuniões, comunicações e ações da instituição são devidamente documentadas. Em qualquer dos casos, a situação exige esclarecimentos compatíveis com os deveres constitucionais de transparência, publicidade e controle público." O post Banco Central impõe sigilo em reunião de Moraes e Galípolo sobre Magnitsky apareceu primeiro em Revista Oeste .