O Movimento Sem Terra (MST) confirma a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, no décimo-quarto encontro nacional dos trabalhadores rurais, que ocorre em Salvador. Na sexta-feira, dia da participação do petista, está programada um ato de solidariedade à Venezuela, com a presença de um representante da embaixada, diante do ataque dos Estados Unidos ao país. Procurada, a Secretaria de Comunicação Social (Secom) do Planalto não confirmou a agenda do petista para a data em questão. Lula culpa Bolsonaro por disseminação de bets no país: 'Eles levaram cassino para dentro da nossa casa' Redes sociais: Alexandre Frota ironiza caminhada de Nikolas e diz que irá a pé a Brasília para ver final entre Flamengo e Corinthians Segundo o MST, Lula e Janja participarão do ato político de encerramento do encontro. O evento foi iniciado na segunda-feira no Parque de Exposições Agropecuárias, na capital baiana, onde ocorrerá até sexta-feira. O movimento afirma que a reunião “marca um momento de alinhamento político frente à conjuntura atual do país e do mundo, forjando às estratégias da luta, para responder às necessidades da sua base social organizada e contribuir para a transformação da sociedade brasileira”. A participação do petista ocorre após o MST divulgar, em julho, uma carta em que crítica o ritmo da reforma agrária do governo Lula. “Após quase três anos de governo Lula, a reforma agrária continua paralisada e as famílias acampadas e assentadas se perguntam: Lula, cadê a reforma agrária?”, diz o texto. Dias depois, Lula recebeu a cúpula do movimento no Palácio do Planalto. No mês seguinte, o Planalto fez duas entregas de títulos de regularização fundiária em uma semana, totalizando 751. Ataque à Venezuela Explorada pela oposição nas últimas semanas, a relação entre a esquerda brasileira e o venezuelano é marcada pelo alinhamento até 2023 — o que rendeu acusações de adversários em eleições, incluindo a última presidencial —, mas vivenciou um distanciamento de lá para cá. No terceiro mandato de Lula, um episódio ilustra a inflexão: depois de receber o líder no Palácio do Planalto, o presidente não reconheceu o resultado da última disputa venezuelana, realizada em julho de 2024 sob acusações de fraude. O ataque americano a Venezuela, por outro lado, vem sendo criticado pelo petista. Em um artigo publicado neste domingo no jornal americano The New York Times, o presidente Lula afirmou que os bombardeios realizados pelos Estados Unidos em território venezuelano e a captura do líder chavista Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, representam “mais um capítulo lamentável da contínua erosão do direito internacional e da ordem multilateral estabelecida após a Segunda Guerra Mundial”. Ao abordar a situação da Venezuela, o presidente afirmou que o futuro do país — assim como o de qualquer outro — “deve permanecer nas mãos de seu povo”. Ele acrescentou que essa é uma condição essencial para que milhões de venezuelanos, muitos deles acolhidos temporariamente no Brasil, possam retornar com segurança ao seu país. Lula enfatizou que o Brasil continuará trabalhando com o governo e o povo venezuelanos para proteger os mais de 2.100 quilômetros de fronteira compartilhada e aprofundar a cooperação.