“Perdi o sono e precisei de terapia”, diz advogada alvo de ataques hh A advogada Rafaela Polidoro afirmou que os ataques promovidos por Vinícius Guedes Sin, preso por perseguir membros do sistema de Justiça do Paraná causaram impactos em sua vida pessoal e profissional. Segundo ela, as agressões virtuais incluíram calúnia, difamação, injúria e incitação ao nazismo. “Tudo isso me afetou muito. Eu tive que deixar o escritório para lidar com esses ataques. Perdi o sono, precisei de terapia e de cuidar da minha saúde emocional”, relatou. A declaração foi feita após a prisão de Vinícius, de 40 anos, suspeito de perseguir e atacar, pela internet, uma promotora de Justiça, uma juíza e a própria advogada — todas envolvidas em um processo de família que trata da guarda do filho dele. A prisão ocorreu na segunda-feira (19), no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, por determinação da Justiça do Paraná. ✅ Siga o g1 Foz do Iguaçu e região no WhatsApp As vítimas afirmam que os ataques tiveram recorte claro de violência de gênero, uma vez que o homem direcionou as acusações e perseguições principalmente contra mulheres envolvidas no processo. Segundo elas, as ofensas tinham como objetivo deslegitimar a atuação profissional e intimidá-las. A defesa de Vinícius informou ao g1 que ele não praticou violência de gênero nem vicária. O investigado criou um site com conteúdo ofensivo para atingir o maior número possível de pessoas e instituições. No conteúdo publicado, ele questiona decisões judiciais, ataca diretamente a atuação das profissionais e faz comparações com o chamado “Quarto Reich”, termo associado ao nazismo. “Tudo o que está no site é considerado perseguição. Ele passou da violência contra a ex-esposa para atacar todas as mulheres envolvidas no processo”, afirmou. Investigado por stalking e ataques a três mulheres da Justiça do Paraná é preso no Rio Reprodução A Polícia Civil informou que o homem divulgava informações protegidas por segredo de Justiça e utilizava denúncias institucionais de forma abusiva para intimidar as vítimas. A Justiça decretou a prisão preventiva pelos crimes de perseguição, denunciação caluniosa e violação de segredo de Justiça, além da retirada do site do ar. Dispositivos eletrônicos foram apreendidos e passarão por perícia. O suspeito permanece à disposição da Justiça do Paraná. Leia também: Crime: Mãe é presa por espancar filhas adolescentes no meio da rua após elas se recusarem a acompanhá-la em festa, no Paraná Descaminho de celulares: Família tenta embarcar com mais de 100 iPhones escondidos em nove malas em aeroporto de Foz do Iguaçu Alerta de furto: Vice-prefeito do Paraná é preso após ser parado em blitz e polícia descobrir que moto usada por ele tinha alerta de furto Promotora de Justiça também foi vítima A promotora de Justiça Simone Lúcia Lórens contou ao g1 que os ataques contra ela começaram em novembro, quando Vinícius começou a encaminhar a órgãos superiores denúncias contra ela. "À medida que fazia essas representações, ele me encaminhava cópia por e-mail, antes mesmo de eu ser formalmente notificada pelo Conselho Nacional do Ministério Público. No contato, dizia que havia me representado e que eu ainda teria tempo para “mudar de postura” no processo", conta. Com o passar dos dias, Simone relata que o homem começou a perseguir pessoas próximas a ela e enviar mensagens mentirosas alegando que ela estaria "torturando o filho dele há cerca de 26 meses". "Com o passar do tempo, surgiram também acusações de que eu seria chefe ou mentora de uma organização criminosa formada por outras operadoras do Direito. Depois me acusou de crimes diversos e até intolerância religiosa", disse. A promotora ressalta que a criação do site e a disseminação dos ataques mudou completamente a sua rotina. "Precisei trabalhar com escolta policial e também de casa. Passei muitos dias sem sair de casa. Mudei toda a minha rotina, deixei de fazer atividades básicas do dia a dia e passei a ficar reclusa", afirma. Ataques começaram após Justiça restringir viagem de criança Segundo a advogada, os ataques começaram há cerca de seis meses após decisões judiciais que determinaram visitas supervisionadas da criança ao pai, realizadas em Cascavel, e restringiram a ida do menor ao Rio de Janeiro. “As visitas sempre aconteceram quando a criança quis. Nunca houve proibição de convivência”, explicou. Ainda segundo Rafaela, o homem passou a acusá-la de crimes, insinuou relações pessoais com magistrados e atacou outras profissionais do caso. “Ele dizia que eu arquitetava crimes, que era ‘advogada do diabo’ e chegou a afirmar que éramos responsáveis por um ‘Quarto Reich’”, disse. Ela afirma que foram solicitadas medidas protetivas e cautelares para cessar a exposição e os ataques. “Ninguém nunca quis que isso chegasse a esse ponto. Todas as medidas foram fundamentadas”, afirmou Rafaela. Segundo a advogada, apesar da prisão, não há impedimento legal para que o homem veja o filho, desde que respeitadas as determinações judiciais. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Oeste e Sudoeste.