Pinguins da Antártica iniciam temporada de reprodução mais cedo devido às mudanças climáticas

Os pinguins da Antártica estão se reproduzindo mais cedo, em um ritmo sem precedentes, devido às mudanças climáticas, é que aponta um estudo publicado nesta terça-feira no Journal of Animal Ecology. A pesquisa internacional analisou uma década de observações e detectou uma mudança extraordinária nos padrões de reprodução dos pinguins, intimamente ligada ao aumento das temperaturas no continente, afirmou o autor principal do estudo, Ignacio Juárez Martínez, da Espanha. O que esperar de 2026? 2025 foi o terceiro ano mais quente da história, diz observatório europeu Rios de gelo, carros soterrados e 'mini icebergs': imagens mostram tempestade de granizo em Malta; vídeo A reprodução dos pinguins está intimamente ligada à disponibilidade de alimentos, e a redução do gelo marinho tornou as áreas de caça e os locais de nidificação (depósito de ovos) acessíveis por períodos mais longos ao longo do ano. Os cientistas esperavam que a reprodução começasse um pouco mais cedo, mas ficaram "muito surpresos tanto com a magnitude quanto com a velocidade da mudança", disse Juárez Martínez à AFP. "A magnitude da mudança é tal que, na maioria das áreas, os pinguins agora estão se reproduzindo mais cedo do que em qualquer outro momento da história registrada", acrescentou o pesquisador da Universidade de Oxford e da Universidade Oxford Brookes. Para este estudo, cientistas observaram as áreas de nidificação de pinguins-gentoo, pinguins-de-barbicha e pinguins-de-adélia entre 2012 e 2022, utilizando dezenas de câmeras instaladas em colônias por toda a Antártica. Galerias Relacionadas Os pinguins-gentoo apresentaram a maior mudança, antecipando sua temporada de reprodução em uma média de 13 dias ao longo de dez anos, e em até 24 dias em algumas colônias. De acordo com os pesquisadores, esta é a mudança mais rápida na temporada de reprodução observada até o momento em qualquer ave e possivelmente em qualquer vertebrado. Os pinguins-de-adélia e os pinguins-de-barbicha também anteciparam sua temporada de reprodução, em uma média de cerca de dez dias. Os resultados foram publicados no Journal of Animal Ecology. Vencedores e perdedores A Antártica é uma das regiões que mais rapidamente se aquecem no mundo, e, no ano passado, as temperaturas médias anuais atingiram recordes históricos, de acordo com o Observatório Europeu Copernicus. Os cientistas ainda não compreendem completamente os mecanismos exatos pelos quais o aumento das temperaturas afeta o comportamento dos pinguins. Tradicionalmente, as três espécies alternavam suas épocas de reprodução, mas a mudança atual está causando sobreposições, o que aumenta a competição por alimento e locais de nidificação livres de neve. Esse fenômeno beneficia os pinguins-gentoo, forrageadores naturais mais bem adaptados a condições mais quentes, e prejudica os pinguins-de-barbicha e os pinguins-de-adélia. "Já observamos pinguins-gentoo ocupando ninhos que antes pertenciam a pinguins-de-adélia ou pinguins-de-barbicha", observou Juárez Martínez. Galerias Relacionadas Enquanto as populações de pinguins-gentoo estão aumentando em uma Antártica mais quente, os pinguins-de-barbicha e os pinguins-de-adélia, que são mais dependentes de krills (pequenos crustáceos) e de condições específicas do gelo, estão diminuindo. "Como os pinguins são considerados um barômetro das mudanças climáticas, os resultados deste estudo têm implicações para espécies em todo o planeta", disse Fiona Jones, coautora do estudo e pesquisadora da Universidade de Oxford, em um comunicado. Juárez Martínez enfatizou que ainda é "cedo demais" para determinar se essa adaptação é benéfica ou se os pinguins estão sendo forçados a fazer mudanças drásticas que podem afetar seu sucesso reprodutivo. "Estamos estudando a capacidade de cada espécie de criar seus filhotes. Se mantiverem um grande número de descendentes, isso significará que estão se adaptando às mudanças climáticas", concluiu.