Aliados comerciais dos Estados Unidos reagem com cautela à derrota judicial de Trump sobre tarifas

A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira que Donald Trump excedeu sua autoridade ao impor uma série de tarifas alfandegárias que abalaram o comércio mundial. A decisão, que gerou uma reação irada do presidente americano, refere-se às tarifas apresentadas como “recíprocas” por ele, mas não às aplicadas a setores específicos da atividade econômica. As tarifas, que provocaram a ira de Donald Trump, foram rejeitadas, mas não aquelas impostas a setores específicos. A seguir, são apresentadas as primeiras reações internacionais, publicadas antes de o presidente dos Estados Unidos prometer um contra-ataque com uma tarifa “global” de 10%. União Europeia "Tomamos nota da decisão e estamos analisando-a atentamente", declarou à AFP Olof Gill, porta-voz da Comissão Europeia. Ele acrescentou que espera “esclarecimentos” do governo americano “sobre as medidas que pretende tomar em resposta a essa decisão”. Já os parlamentares da União Europeia vão fazer uma reunião de emergência na segunda-feira para reavaliar o acordo comercial do bloco com os Estados Unidos concluído em meados do ano passado, que permitiu limitar a 15% as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos à maioria dos produtos europeus. A comissão de comércio do Parlamento Europeu deveria votar na próxima terça-feira para avançar com o processo de ratificação do acordo. O Parlamento havia anteriormente congelado o processo de ratificação depois que Trump ameaçou anexar a Groenlândia. França “A decisão do Supremo Tribunal Federal demonstra que essas famosas tarifas foram, no mínimo, objeto de debate”, reagiu o ministro da Economia francês, Roland Lescure. “Também vimos que o déficit comercial americano (...) continuou sendo muito significativo no ano passado. Isso demonstra que talvez não seja a solução milagrosa que se esperava. Agora veremos quais serão as consequências de tudo isso”, acrescentou. Quanto a um possível reembolso das tarifas cobradas pelos Estados Unidos, “será o governo americano, e em particular os tribunais, que decidirão como proceder”, declarou o ministro francês, estimando que Washington arrecadou US$ 185 bilhões em tarifas durante o último ano. “Isso é muito dinheiro”. Reino Unido "Trabalharemos com a administração dos Estados Unidos para entender como esta decisão afetará as tarifas para o Reino Unido e o resto do mundo", indicou um porta-voz do governo britânico em comunicado. "O Reino Unido se beneficia das tarifas recíprocas mais baixas do mundo e, seja qual for o cenário, esperamos que nossa posição comercial privilegiada com os Estados Unidos seja mantida", acrescentou. Um acordo com Washington permite que Londres se beneficie de tarifas alfandegárias limitadas a 10% sobre a maioria dos produtos britânicos. Canadá A decisão da Suprema Corte "reforça a posição do Canadá", de que essas tarifas são "injustificadas", estimou Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pela relação comercial com os Estados Unidos, em uma mensagem na rede X nesta sexta-feira. Ele recordou que Ottawa está atualmente em diálogo com Washington, já que empresas canadenses são afetadas pelas tarifas setoriais, que impactam a economia. As chamadas tarifas "recíprocas" na prática quase não afetam o Canadá em virtude do T-MEC, o tratado de livre comércio existente entre México, Estados Unidos e Canadá, um acordo que o governo Trump pretende revisar completamente nos próximos meses. México O governo do México analisará os possíveis impactos da nova tarifa geral de 10% anunciada nesta sexta-feira pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse o secretário de Economia, Marcelo Ebrard. "Vamos primeiro ver que medidas ele vai adotar para podermos determinar de que maneira isso pode afetar nosso país", afirmou Ebrard. O anúncio do magnata republicano ocorre após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que considerou que Trump havia excedido sua autoridade ao impor tarifas alfandegárias como se fosse uma emergência nacional.