Presidente de sindicado de auditores foi ouvido pela PF como investigado em razão de declarações à imprensa, diz entidade

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco) afirmou, em nota, que seu presidente, Kléber Cabral, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira em condição de investigado no inquérito das Fake News em razão de declarações concedidas à imprensa. A entidade, no entanto, não deu detalhes sobre o depoimento devido ao sugilo do processo. "O presidente da Unafisco Nacional, auditor-fiscal Kléber Cabral, prestou depoimento hoje, de modo remoto, à Polícia Federal. Ele foi ouvido na condição de investigado no âmbito do chamado Inquérito das Fake News, apenas em razão das declarações concedidas à imprensa na quarta-feira, 18 de fevereiro", disse, em nota. O inquérito das Fake News abarcou, a pedido de seu relator, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma auditoria no sistema da Receita Federal para apurar acessos indevidos a dados fiscais sigilosos de ministros da corte e de seus familiares. Até o momento, o Fisco identificou quatro servidores por acesso irregular, que foram alvo de uma operação da PF na última terça. Em função disso, Cabral deu entrevistas a diversos veículos de imprensa na quarta para explicar a situação do único auditor entre os quatro investigados, o servidor Ricardo Mansano de Moraes. Nesse contexto, o presidente da Unafisco também fez críticas à condução do processo pelo ministro relator no STF. Ao GLOBO, antes de ser chamado a depor, o presidente da Unafisco disse que as medidas cautelares determinadas por Moraes, após pedido da Procuradoria-Geral da República, foram "desproporcionais" e teriam caráter "intimidatório". Os quatro servidores foram alvo de buscas e apreensões na manhã de terça-feira, durante o feriado de carnaval. Por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF, foram afastados dos seus cargos, passaram a utilizar tornozeleira eletrônica, tiveram seus passaportes cancelados e estão proibidos de sair de casa no período noturno. — A nossa leitura é que tem um certo método, era para dar um falso positivo, criar um discurso de vítima de que o STF foi atacado — disse. — A nossa percepção é que o objetivo é intimidatório porque as medidas foram muito desproporcionais. Segundo o presidente da Unafisco, o caso do auditor seria um "falso positivo", porque ele acessou irregularmente as declarações de Maria Carolina Feitosa, enteada do ministro do STF Gilmar Mendes, mas porque achou que ela era esposa de um ex-colega. Cabral afirmou que Mansano de Moraes não ultrapassou a tela inicial e não compartilhou as informações. — Os sistemas da Receita mostram tudo que a pessoa fez. Não dá para ter dúvida se olhou, se printou, se mandou imprimir, quantos segundos ficou em cada tela, tudo isso a Receita guarda e registra para uma futura apuração. Mas existe algum dado vazado dessa pessoa (Maria Carolina)? Não. Então não tem nada a ver com essa história — defendeu Cabral.